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Nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, seis províncias da África do Sul foram atingidas por severas tempestades, com ventos de até 120 km/h, chuvas torrenciais e granizo, conforme informações do Serviço Meteorológico Sul-Africano (SAWS). O fenômeno, classificado como de alto risco climático, provocou alagamentos em áreas urbanas e rurais, queda de árvores, danos a residências e interrupção no fornecimento de energia elétrica em diversas localidades. As províncias mais afetadas são Gauteng, KwaZulu-Natal, Cabo Oriental, Cabo Ocidental, Estado Livre e Mpumalanga. Não há, até o momento, relatos de vítimas fatais, mas equipes de emergência trabalham para atender os desabrigados e restabelecer a infraestrutura.
**Contexto**
A África do Sul enfrenta, desde o início da primavera, um período de instabilidade climática causado pela combinação de massas de ar quente vindas do Oceano Índico e sistemas de baixa pressão que se formam sobre o continente. De acordo com o SAWS, as tempestades desta terça-feira são resultado de um ciclone extratropical que se intensificou rapidamente a partir do final de semana. Em Gauteng, a província mais populosa e que abriga as cidades de Joanesburgo e Pretória, os ventos atingiram picos de 110 km/h, arrancando telhados de casas e derrubando postes de iluminação. Em KwaZulu-Natal, a cidade portuária de Durban registrou mais de 80 mm de chuva em apenas seis horas, causando alagamentos em vias principais e bairros de ocupação informal. No Cabo Oriental e no Cabo Ocidental, o granizo danificou plantações de uvas e maçãs, ameaçando a safra local. Já no Estado Livre e em Mpumalanga, as rajadas de vento provocaram a queda de árvores sobre linhas de transmissão elétrica, deixando bairros inteiros às escuras. As autoridades emitiram alertas de risco nível 5 (alto) para todas as regiões afetadas, orientando a população a buscar abrigo e evitar deslocamentos não essenciais.
**Análise**
A ocorrência de tempestades severas simultâneas em seis províncias reflete um padrão climático cada vez mais frequente na África Austral, associado às mudanças climáticas globais. Cientistas do SAWS e da Universidade da Cidade do Cabo têm documentado, nos últimos anos, um aumento na intensidade e na frequência de eventos extremos na região, como ondas de calor, secas prolongadas e tempestades convectivas. Especialistas apontam que o aquecimento das águas do Oceano Índico fornece mais energia para a formação de ciclones e tempestades, resultando em chuvas mais concentradas e ventos mais fortes. A infraestrutura urbana sul-africana, especialmente em áreas de baixa renda, não está preparada para suportar eventos climáticos dessa magnitude. O impacto imediato inclui não apenas danos materiais, mas também interrupção de serviços essenciais, como transporte, comunicação e saúde. As operações de resgate e assistência humanitária foram acionadas pelos governos provinciais, com apoio da Força Nacional de Defesa e da Cruz Vermelha. A longo prazo, o episódio reforça a urgência de políticas públicas de adaptação climática e de investimentos em sistemas de alerta precoce e infraestrutura resiliente. A sociedade civil e organizações ambientais cobram maior compromisso do governo sul-africano com as metas de redução de emissões e com o financiamento de ações de mitigação.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais do Serviço Meteorológico Sul-Africano (SAWS), publicados em seu site e perfil na rede social X (antigo Twitter), além de reportagens dos veículos locais News24, eNCA e do jornal Mail & Guardian. Dados complementares sobre impactos regionais foram fornecidos pela Agência de Gestão de Desastres da África do Sul (NDMC) e por boletins da Cruz Vermelha Sul-Africana.
Por Renan Filho · 2026-09-29