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Cuidadora relata luta diária de pensionistas da SASSA na África do Sul: filas, atrasos e dignidade em jogo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

Relato de uma cuidadora sul-africana expõe a realidade de idosos que dependem do benefício da Agência de Seguridade Social Sul-Africana (SASSA), enfrentando longas filas, falhas no sistema e o medo constante de perder o único sustento.

**Lead**

Na província de Gauteng, na África do Sul, a cuidadora Thandiwe Mokoena (nome fictício a pedido da entrevistada, que teme represálias) descreve um cenário de exaustão e angústia enfrentado diariamente por pensionistas idosos que dependem dos pagamentos mensais da Agência de Seguridade Social Sul-Africana (SASSA). Em um relato obtido pelo FORTIS NEWS, Mokoena detalha como a burocracia, as falhas tecnológicas e a falta de infraestrutura transformam o acesso a um direito constitucional em uma verdadeira provação para milhares de sul-africanos com mais de 60 anos.

**Contexto**

A SASSA é o órgão público responsável pela distribuição de subsídios sociais na África do Sul, incluindo a pensão por velhice (Old Age Pension), que atende a mais de 3,5 milhões de idosos no país, segundo dados oficiais do governo sul-africano divulgados em relatórios anuais da própria agência. O benefício, que gira em torno de 2.090 rands (aproximadamente R$ 620) por mês, é a principal — e muitas vezes única — fonte de renda para famílias inteiras em comunidades carentes, especialmente nas áreas rurais e nas periferias urbanas.

O sistema de pagamento, no entanto, tem sido alvo de críticas constantes. Desde a transição para o novo modelo de distribuição via cartão SASSA, gerenciado pela empresa Postbank, beneficiários relatam problemas recorrentes: caixas eletrônicos fora de serviço, filas que se estendem por horas sob sol ou chuva, e a exigência de biometria que falha com frequência em idosos com dificuldades de locomoção ou problemas de saúde.

Mokoena, que trabalha como cuidadora voluntária em um abrigo para idosos em Soweto, conta que muitos pensionistas acordam antes do amanhecer para garantir um lugar na fila. "Eles chegam às 4h da manhã, muitos com bengalas, andadores, alguns em cadeiras de rodas. Ficam horas esperando, sem banheiro, sem água, sem sombra. Quando o sistema cai, o que acontece quase toda semana, eles são mandados de volta para casa sem nada", relata.

**Análise**

A situação exposta pela cuidadora não é um caso isolado, mas um sintoma de um problema estrutural mais profundo. A dependência de um sistema de pagamento terceirizado, que já foi alvo de investigações por corrupção e má gestão, aliada à falta de investimento em infraestrutura digital acessível para a população idosa, cria um ciclo de exclusão social. Especialistas em políticas públicas apontam que, embora a SASSA tenha avançado na cobertura do benefício, a qualidade do serviço de entrega não acompanhou o crescimento da demanda.

O impacto vai além do financeiro. A dignidade do idoso é constantemente violada. A espera extenuante, a humilhação de ser tratado com indiferença por seguranças particulares e a incerteza sobre o recebimento do benefício geram quadros de ansiedade e depressão. "Não é só dinheiro. É o reconhecimento de que eles existem, de que o Estado se importa. Quando o sistema falha, eles sentem que foram esquecidos", afirma Mokoena.

A questão também tem um peso político significativo. Com as eleições gerais de 2024 se aproximando, o governo do Congresso Nacional Africano (ANC) tem enfrentado pressão para resolver os problemas da SASSA. A oposição, incluindo partidos como a Aliança Democrática (DA) e os Lutadores pela Liberdade Econômica (EFF), tem usado o caos nos pagamentos como munição para criticar a gestão do bem-estar social. No entanto, até o momento, nenhuma solução definitiva foi apresentada, e as promessas de modernização esbarram na realidade de um Estado com recursos limitados e uma economia em desaceleração.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em relato direto de uma cuidadora que atua na região de Soweto, Gauteng, e em dados públicos disponíveis nos relatórios anuais da SASSA e em coberturas da imprensa sul-africana, como o jornal Mail & Guardian e a agência de notícias Reuters, que documentaram as falhas recorrentes no sistema de pagamento de benefícios sociais na África do Sul ao longo dos últimos anos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.