O ex-jogador e atual treinador Zinedine Zidane surpreendeu a imprensa esportiva ao tecer elogios públicos à Seleção Turca de Futebol. Em declaração à imprensa europeia nesta quinta-feira, o francês afirmou: “Beklenmedik bir durum, çok zor olacak” — “Uma situação inesperada, será muito difícil”. A frase, dita em turco, foi recebida com entusiasmo por torcedores e analistas na Turquia.
Zidane, que atualmente comanda o Real Madrid, referia-se ao desempenho da equipe turca nas Eliminatórias da Eurocopa de 2028. A declaração ocorreu após a vitória da França sobre a Eslovênia, em partida realizada no Stade de France. O técnico não poupou críticas ao próprio time, mas destacou a evolução dos turcos: “Eles jogam com intensidade, têm jogadores jovens e rápidos. Será um teste de fogo para nós”.
A Turquia, que há anos busca se firmar entre as potências europeias, tem chamado atenção pela base formada em clubes como Galatasaray, Fenerbahçe e Beşiktaş. Segundo dados oficiais da UEFA, o país subiu quatro posições no ranking de coeficientes de seleções nos últimos dois anos. Além disso, a federação turca investiu pesadamente em centros de treinamento e na profissionalização da gestão esportiva — um contraste com o modelo estatal que ainda impera em parte do futebol latino-americano.
Por que isso importa A declaração de Zidane não é apenas um elogio esportivo. Ela reflete a ascensão de um país que, mesmo com um Estado historicamente pesado e ineficiências burocráticas, conseguiu criar um ecossistema de futebol competitivo. Enquanto Turquia e França se preparam para o confronto, o exemplo turco serve como lição para nações que insistem em tratar o esporte como extensão do governo, e não como iniciativa de clubes e mercado.
Análise FORTIS O futebol turco cresceu apesar do Estado, não por causa dele. A burocracia em Ancara é notoriamente lenta e a carga tributária sobre clubes chega a 40% da receita, segundo relatório da Deloitte Sports de 2025. Mesmo assim, os times conseguiram se modernizar com gestão privada e parcerias internacionais. O Galatasaray, por exemplo, emitiu títulos no mercado de capitais para financiar seu estádio — algo impensável em países onde o governo controla cada centavo do esporte.
O reconhecimento de Zidane, um dos maiores nomes da história do futebol, é a prova de que mérito e eficiência superam estatismo. Enquanto federações sul-americanas gastam fortunas em subsídios e estádios superfaturados, a Turquia optou por investir em formação de atletas e gestão profissional. O resultado aparece em campo: a seleção turca não perdia uma partida em casa há 14 jogos, segundo estatísticas oficiais da FIFA.
Contraponto Críticos podem argumentar que o sucesso turco ainda é frágil e que a instabilidade política e econômica do país pode comprometer o futebol a longo prazo. A inflação na Turquia superou 70% ao ano em 2025, e a desvalorização da lira torna difícil manter talentos no país. De fato, jovens promessas como Arda Güler já atuam na Espanha. No entanto, a base continua produzindo novos jogadores, e a liga local mantém alto nível de competitividade — algo que só é possível com liberdade de investimento e contratos.
Por Renan Filho · 2026-09-24