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Internacional

Zelensky convida Putin para negociações diretas na Turquia: ‘Sentemos e encerremos a guerra’

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

O presidente ucraniano propõe reunião mediada por Ancara para discutir o fim do conflito. A iniciativa ocorre em meio a impasses militares e pressão econômica sobre Kiev, enquanto Moscou condiciona qualquer diálogo ao abandono das ambições ucranianas na OTAN.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, publicou nesta quarta-feira (24) um apelo direto ao líder russo, Vladimir Putin, para que ambos se sentem à mesa de negociações na Turquia. Em publicação em sua conta oficial no Telegram, Zelensky afirmou: “Vamos nos sentar e conversar. A guerra precisa terminar. A Turquia, como país mediador, pode nos receber. Não há alternativa à paz que não seja o esvaziamento de mais territórios e vidas.” A declaração foi replicada pelo gabinete presidencial ucraniano e confirmada por assessores à agência Reuters.

A proposta surge em um momento de estagnação no front oriental, onde as forças ucranianas enfrentam dificuldades logísticas e escassez de munições após 20 meses de conflito. Dados do Ministério da Defesa da Ucrânia indicam que, desde janeiro, o país perdeu 18% de sua capacidade de artilharia pesada, enquanto a Rússia mantém uma produção industrial de guerra em ritmo acelerado. Apesar da retórica de vitória, a realidade no terreno mostra que Kiev não conseguiu recuperar áreas-chave como Bakhmut e Avdiivka, e que as sanções ocidentais não enfraqueceram a economia russa o suficiente para forçar uma retirada.

A escolha da Turquia como palco não é casual. Ancara mantém relações comerciais e diplomáticas com ambos os lados, sendo membro da OTAN que não rompeu laços com Moscou. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, já mediou acordos anteriores, como o corredor de grãos no Mar Negro em 2022, e tem interesse em afirmar-se como potência regional estável. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Turquia informou que “está disposto a facilitar qualquer iniciativa que leve ao cessar-fogo e à paz duradoura”, mas não confirmou se Putin aceitou o convite. Até a publicação desta notícia, o Kremlin não emitiu resposta oficial, mas fontes do governo russo, citadas pela TASS, indicaram que “qualquer negociação deve partir do reconhecimento das realidades territoriais e da neutralidade da Ucrânia”.

**Por que isso importa?** A guerra na Ucrânia já custou, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional, cerca de US$ 500 bilhões em danos diretos e indiretos à infraestrutura e à economia do país. Os contribuintes europeus e norte-americanos bancam US$ 113 bilhões em ajuda militar e financeira, valor que cresce a cada trimestre. Para o cidadão médio brasileiro, que enfrenta inflação de 8,2% no acumulado de 12 meses (dados do IBGE) e carga tributária de 33% do PIB, a guerra parece cada vez mais um luxo geopolítico financiado com impostos de trabalhadores que já vivem no limite. Enquanto o Estado brasileiro gasta mal e tributa demais, a União Europeia anuncia novo pacote de € 50 bilhões para Kiev, sem transparência sobre o destino dos recursos anteriores.

**Análise FORTIS:** A proposta de Zelensky é, ao mesmo tempo, um gesto de desespero tático e uma jogada de mídia. Ele sabe que, sem a adesão de Putin, a reunião não ocorrerá. Mas, ao propor publicamente, força o líder russo a recusar ou aceitar sob condições que podem isolar Moscou diplomaticamente. No entanto, do ponto de vista do livre mercado e da soberania nacional, a guerra só se perpetua porque ambos os lados se recusam a reconhecer custos reais — especialmente os europeus, que insistem em financiar uma guerra que não podem vencer. O custo de oportunidade é imenso: os trilhões gastos em armamentos poderiam financiar corte de impostos, desburocratização e estímulo ao empreendedorismo no Ocidente. A paz, mesmo que imperfeita, é o único caminho para que as nações voltem a focar em prosperidade econômica e liberdade individual, em vez de expansionismo estatal.

**Contraponto:** Críticos da proposta argumentam que Putin não é confiável como interlocutor e que qualquer cessar-fogo sem garantias de segurança para a Ucrânia equivaleria a uma capitulação. A ex-embaixadora dos EUA na OTAN, Ivo Daalder, em artigo no Foreign Affairs, defende que a Rússia usa as negociações para rearmar e rearranjar tropas. O risco de uma armadilha é real: em 2014, Moscou assinou os Acordos de Minsk e violou-os sistematicamente. No entanto, a ausência de negociação condena a Ucrânia a um desgaste que favorece justamente a estratégia russa de exaustão.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.