A história veio a público por meio de um relato emocionante publicado pelo próprio paciente em suas redes sociais na última semana. Identificado apenas como Mehmet A., um homem de 52 anos da cidade de Istambul, ele contou que foi diagnosticado há cerca de um ano com uma doença autoimune rara, de nome não revelado, que atacava progressivamente os pulmões e o coração. Os médicos do hospital público estadual estimaram que ele teria entre quatro e seis meses de vida, sem nenhuma terapia eficaz disponível na lista de medicamentos fornecidos pelo sistema de saúde governamental turco.
Desesperado, Mehmet buscou alternativas fora do circuito estatal. Com ajuda de familiares, conseguiu consultar um especialista em uma clínica privada de Ancara, que lhe indicou duas novas drogas aprovadas recentemente pela autoridade regulatória turca, mas ainda não incorporadas ao SUS turco — o chamado SGK. Os medicamentos, desenvolvidos por laboratórios internacionais, atuam em vias específicas do sistema imunológico e já haviam demonstrado resultados expressivos em ensaios clínicos, mas seu alto custo e a resistência de gestores públicos retardavam sua chegada aos pacientes.
O tratamento, mantido por recursos próprios do paciente e de uma campanha de financiamento coletivo organizada por amigos, custou cerca de 120 mil dólares ao longo de seis meses. Após três meses de terapia, os exames já mostravam reversão parcial do quadro. No mês passado, uma tomografia computadorizada indicou a remissão completa da doença. O médico que o acompanha afirmou, em entrevista à imprensa turca, que se trata de um caso raro e que a resposta ao tratamento superou todas as expectativas.
O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre o papel do Estado na saúde e a necessidade de acelerar a aprovação de medicamentos inovadores. A Turquia, assim como o Brasil, enfrenta uma regulação pesada e um sistema público de saúde universal que, embora louvável na intenção, sofre com falta de recursos e filas gigantescas. Enquanto as burocratas avaliavam a eficácia das novas drogas, pacientes morriam sem acesso a elas. Mehmet teve sorte: sua condição financeira e a solidariedade de desconhecidos permitiram que ele burlasse a espera, mas milhares de outros turcos não têm a mesma chance.
Para o FORTIS NEWS, o episódio é uma aula de economia e de ética. O desenvolvimento das duas drogas foi financiado por empresas privadas que investiram bilhões em pesquisa, correndo risco e sem qualquer garantia de retorno. O lucro, tão demonizado por ideologias estatizantes, foi o motor que trouxe à existência uma cura para uma doença que o Estado nem sequer reconhecia como tratável. Quando o Estado monopoliza a saúde, ele não apenas gera ineficiência — ele literalmente rouba anos de vida dos cidadãos.
Os críticos do caso argumentam que a história de Mehmet é exceção, não regra, e que o acesso privado aprofunda desigualdades. É um argumento fraco e auto-contraditório. Exceções como essa provam que a regra está errada. Se os medicamentos são tão eficazes, por que o Estado turco não os incorpora imediatamente ao seu sistema? A resposta é a mesma que explica os atrasos nos países latino-americanos: pressões orçamentárias, interesse de grupos de pesquisa públicos e a lentidão natural de um monopólio que não responde às necessidades dos cidadãos, mas sim às suas próprias burocracias.
O governo turco, sob pressão popular, anunciou que vai reavaliar a incorporação das novas drogas ao SGK. Se confirmado, será uma vitória parcial — mas ainda dependerá de negociações de preço e de novas avaliações técnicas, que podem levar anos. Enquanto isso, outras pessoas com o mesmo diagnóstico aguardam nas filas do hospital público, muitas sem esperança. Mehmet, agora curado, diz que vai lutar para que todos tenham acesso ao tratamento que lhe salvou. Ele encara uma batalha contra o tempo e contra um Estado que, em nome do interesse público, decide quem pode viver e quem deve morrer.
A lição para o Brasil é evidente. O nosso SUS também sofre com a mesma enfermidade burocrática. Novas terapias para câncer, doenças raras e condições crônicas demoram anos para chegar aos pacientes, e quando chegam, muitas vezes em versões defasadas. A alternativa não é a extinção do sistema público, mas a abertura de mais espaço para a iniciativa privada, com seguro saúde, planos de acesso e liberdade de escolha. O caso turco demonstra que a inovação não vem de gabinetes ministeriais, mas de laboratórios que buscam lucro. E que, quando se deixa o mercado agir, até a morte precisa recuar.
O FORTIS NEWS não defende o desmonte do Estado, mas a redução drástica da sua intervenção na saúde. O papel governamental deveria ser o de garantir segurança e informação, não o de decidir quais medicamentos são
Por Renan Filho · 2026-09-24