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Economia

Tragédia em Manisa: Catador de Sucata Morre Sob Caminhão de Lixo e Expõe Falhas do Sistema

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Um catador de sucata perdeu a vida ao ser soterrado por um caminhão de lixo na cidade de Manisa, na Turquia. O acidente reacende o debate sobre a precariedade do trabalho informal e a ineficiência do Estado em proteger os mais vulneráveis sem sufocar a economia.

Na manhã da última terça-feira, um trágico acidente na zona industrial de Manisa, oeste da Turquia, chocou a população local. Um homem que trabalhava como catador de sucata, sem identificação oficial divulgada até o momento, foi atingido e morto por um caminhão de coleta de lixo que tombou sobre ele enquanto vasculhava uma pilha de resíduos. Segundo a imprensa turca, o motorista do veículo teria perdido o controle em uma descida íngreme, e a carga mal fixada desabou sobre a vítima. O caso está sendo investigado pela polícia local, mas até agora nenhum pronunciamento oficial do governo provincial foi emitido.

A morte desse trabalhador anônimo não é um evento isolado. A Turquia, assim como outros países emergentes, possui uma vasta economia informal de reciclagem, na qual milhares de pessoas arriscam a vida diariamente para extrair valor do lixo. De acordo com dados da Associação Turca de Reciclagem, cerca de 500 mil catadores atuam sem qualquer vínculo formal, expostos a riscos mecânicos, químicos e biológicos. A falta de registros oficiais dificulta a contabilização precisa de acidentes, mas estima-se que dezenas de mortes ocorram a cada ano nessa atividade.

Por que esse episódio importa para o Brasil e para o mundo? Porque ele expõe a face mais cruel de um Estado que tributa demais, entrega pouco e empurra os mais pobres para a marginalidade. O catador de Manisa não estava ali por escolha genuína; estava ali porque o sistema formal de reciclagem é travado por burocracia, impostos elevados e licenças caras. Enquanto governos prometem “inclusão” com programas assistenciais, a realidade é que milhões são excluídos do mercado legal de trabalho por barreiras criadas pelo próprio poder público.

A análise FORTIS desse caso é direta: o Estado turco, assim como o brasileiro, falha duplamente. Primeiro, ao não oferecer condições para que a reciclagem seja um negócio formal viável — as altas cargas tributárias sobre o setor de resíduos sólidos tornam a coleta seletiva legal cara demais, incentivando o “lixão” informal. Segundo, ao não fiscalizar minimamente a segurança viária e o transporte de cargas, permitindo que caminhões sucateados circulem sem manutenção adequada. A tragédia poderia ter sido evitada com regras mais claras e fiscalização efetiva, mas isso exigiria um Estado que, em vez de sugar recursos, atuasse como garantidor de contratos e segurança, sem interferir na liberdade econômica.

Contraponto: alguns defenderão que a solução é aumentar o controle estatal sobre a coleta de lixo, criando monopólios municipais ou licenças obrigatórias para catadores. Esse raciocínio, porém, ignora os dados. Países com forte intervenção no setor de reciclagem, como a Índia, apresentam taxas ainda maiores de informalidade e acidentes. O livre mercado, com respeito à propriedade privada e contratos voluntários, permite que cooperativas e empresas privadas ofereçam melhores condições de trabalho quando a demanda por reciclagem é genuína. O que falta não é mais governo, mas menos entraves para que o capital privado invista em segurança e infraestrutura.

Em Manisa, a prefeitura local ainda não se pronunciou sobre o acidente. A família do catador, que não teve o nome revelado, espera respostas. Enquanto isso, o caminhão que causou a morte permanece apreendido, e o motorista presta depoimento. A imprensa turca noticia o caso como mais um acidente de trabalho, mas para quem enxerga além do factual, é um sintoma de uma doença maior: a incapacidade do Estado de criar um ambiente onde o trabalho digno e seguro seja a regra, não a exceção.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.