Polatlı, na Turquia, está longe de ser um modelo de gestão pública. Com uma população de aproximadamente 125 mil habitantes e uma economia baseada na agricultura, indústria de defesa e logística (por ser entroncamento ferroviário), a prefeitura local deveria ser um motor de desenvolvimento. Mas, na prática, a máquina pública municipal inchou, a carga tributária sobre os cidadãos e empresas aumentou – e os resultados práticos, como infraestrutura, saúde e educação, ficaram aquém do esperado.
Segundo relatórios do Tribunal de Contas turco (Sayıştay), disponíveis em sua plataforma de transparência, a receita própria do município cresceu 18% em termos reais entre 2021 e 2023, impulsionada pelo aumento das alíquotas do imposto sobre propriedade (emlak vergisi) e taxas de serviços. Enquanto isso, as despesas correntes com pessoal e encargos sociais saltaram 22% no mesmo período, consumindo mais de 65% do orçamento. Obras de infraestrutura, como a ampliação da rede de esgoto e recapeamento asfáltico, representaram apenas 12% dos gastos – muito abaixo do recomendado por organismos internacionais de desenvolvimento.
Por que isso importa? O contribuinte de Polatlı paga caro por um Estado municipal que entrega pouco. Um comerciante local, em declaração à imprensa regional, reclamou que o aumento da taxa de licenciamento comercial em 2024 inviabilizou pequenos negócios. A prefeitura, por sua vez, justifica os reajustes com a necessidade de cobrir déficits previdenciários e o serviço da dívida pública – que, de acordo com o balanço de 2023, alcançou 340 milhões de liras turcas, o equivalente a 40% da receita anual.
A análise FORTIS aponta um padrão conhecido: o poder público local age como monopolista, sem incentivos de mercado para reduzir custos ou melhorar serviços. Em vez de buscar parcerias com a iniciativa privada para gerir parques, coleta de lixo ou transporte urbano, a prefeitura mantém empresas estatais municipais ineficientes. O serviço de ônibus urbano, gerido pela Polatlı Belediye Otobüs İşletmesi, opera com subsídios de 15 milhões de liras por ano, enquanto empresas privadas de transporte oferecem tarifas 20% menores na mesma rota – conforme levantamento da Câmara de Comércio de Ancara.
Contraponto: é verdade que Polatlı enfrenta desafios macroeconômicos típicos da Turquia, como inflação elevada (próxima de 50% ao ano) e desvalorização da lira, que pressionam as contas municipais. No entanto, prefeituras de porte similar na região, como Eskişehir e Konya, conseguiram reduzir o peso da folha de pagamento para menos de 50% do orçamento por meio de reformas administrativas e terceirização inteligente. A diferença está na vontade política de cortar privilégios e abrir espaço para o setor privado.
O prefeito Mürsel Yıldızkaya, reeleito em 2024 pelo AK Parti, tem feito declarações públicas defendendo o aumento da arrecadação como caminho para equilibrar as contas – uma visão estatizante que desconsidera o lado da despesa. Em nota oficial, a prefeitura anunciou em setembro de 2026 um pacote de “austeridade” que, na prática, aumenta impostos e taxas em 12%, sem nenhum corte estrutural de gastos. É a velha receita de sempre: o cidadão paga a conta da ineficiência.
O leitor do FORTIS é exigente e sabe que não se constrói prosperidade com Estado gordo. Polatlı precisa urgentemente de uma agenda liberal: privatização de serviços não essenciais, revisão de contratos superfaturados, redução da carga tributária municipal e foco em infraestrutura produtiva. Enquanto isso não acontece, os dados falam por si: mais impostos, mais dívida, menos qualidade de vida.
Por Renan Filho · 2026-09-24