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Atenas e Paris estão considerando uma alteração no traçado do Great Sea Interconnector (GSI), o ambicioso cabo submarino de transmissão de eletricidade que ligará Grécia, Chipre e Israel, de acordo com relatos da mídia grega divulgados nos últimos dias. A possível mudança visa desviar a rota de áreas próximas à Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Turquia, evitando assim um ponto de atrito diplomático que já dura anos. A informação, publicada por veículos como o jornal Kathimerini e o site de notícias Ekathimerini, cita fontes do governo grego e da empresa responsável pelo projeto, sem, no entanto, revelar detalhes técnicos específicos da nova rota.
**Contexto**
O Great Sea Interconnector é um dos maiores projetos de infraestrutura energética do Mediterrâneo Oriental. Com capacidade estimada em 2 gigawatts (GW), o cabo submarino de corrente contínua de alta tensão (HVDC) percorrerá cerca de 1.200 quilômetros, conectando as redes elétricas de Grécia, Chipre e Israel. O projeto é visto como estratégico para a União Europeia, pois permitirá a integração de fontes renováveis — especialmente a energia solar de Chipre e Israel — ao continente europeu, contribuindo para as metas de descarbonização do bloco.
A rota original do GSI passa pelo mar Mediterrâneo Oriental, em águas que a Turquia reivindica como parte de sua plataforma continental e ZEE. Ancara tem se oposto consistentemente ao projeto, argumentando que qualquer instalação submarina na região deve ser precedida de consultas e autorizações turcas, sob pena de violar seus direitos soberanos. A Grécia, por sua vez, defende que o traçado está inteiramente dentro de sua ZEE e de águas internacionais, com base no direito do mar.
A França, que tem fortes laços econômicos e militares com a Grécia, é um dos principais apoiadores do GSI. Empresas francesas do setor de cabos submarinos e energia estão envolvidas no fornecimento de tecnologia e na execução das obras. A possível mudança de rota, portanto, envolve não apenas o governo grego, mas também os parceiros franceses, que avaliam os custos adicionais e os riscos geopolíticos de manter o traçado original.
**Análise**
A decisão de alterar a rota do GSI tem implicações econômicas profundas para a Turquia e para todo o equilíbrio energético regional. Para Ancara, uma rota que evite completamente suas águas representaria um revés diplomático e econômico. A Turquia há muito busca se posicionar como um hub energético entre o Oriente Médio, o Cáucaso e a Europa. Projetos como o GSI, que contornam seu território, enfraquecem essa ambição e reduzem sua capacidade de influenciar o fluxo de energia na região. Além disso, a Turquia poderia perder potenciais receitas de trânsito e oportunidades de cooperação tecnológica.
Por outro lado, para a Grécia e a França, a alteração do traçado pode representar um aumento significativo nos custos de construção e manutenção do cabo. Rotas alternativas, mais ao sul ou mais próximas da costa egípcia, exigiriam maior extensão de cabo, fundos oceânicos mais profundos e, possivelmente, novos estudos de viabilidade técnica. Isso poderia atrasar o cronograma do projeto, que já enfrenta desafios financeiros e regulatórios. O custo total estimado do GSI gira em torno de vários bilhões de euros, e qualquer mudança de rota pode elevar esse valor em centenas de milhões.
Do ponto de vista geopolítico, a decisão reflete a crescente tensão entre a União Europeia e a Turquia no Mediterrâneo Oriental. A França, em particular, tem adotado uma postura firme em defesa dos direitos marítimos gregos e cipriotas. Se a mudança de rota for confirmada, poderá ser interpretada como uma vitória diplomática para Atenas e Paris, mas também como mais um elemento de distanciamento nas relações entre a Turquia e a UE. Para o mercado de energia, a incerteza sobre o traçado final do GSI pode desestimular investimentos privados e atrasar a integração das renováveis na região.
**Fontes**
As informações foram baseadas em relatos da imprensa grega, incluindo o jornal Kathimerini e o site Ekathimerini, que citam fontes do governo grego e da empresa responsável pelo projeto Great Sea Interconnector. Dados técnicos sobre o projeto foram obtidos de comunicados oficiais da Comissão Europeia e de documentos públicos do operador do sistema elétrico grego (IPTO). A posição da Turquia sobre o GSI foi reportada anteriormente por agências internacionais como Reuters e Anadolu Agency.
Por Renan Filho · 2026-09-29