Na manhã desta terça-feira, 24 de setembro de 2026, um veículo de passeio perdeu o controle e colidiu contra um grupo de estudantes que aguardava a abertura do portão de uma escola pública no distrito de Kadıköy, em Istambul. O saldo, segundo a polícia local, é de quatro jovens feridos, dois em estado grave. O motorista, um homem de 34 anos, foi detido e submetido ao teste de alcoolemia – cujo resultado ainda não foi divulgado oficialmente.
O acidente ocorreu por volta das 7h30, horário de pico de entrada nas escolas. Testemunhas relataram à imprensa turca que o carro vinha em alta velocidade, subiu o meio-fio e atingiu os alunos antes de parar em um poste de iluminação pública. Imagens de câmeras de segurança já foram solicitadas pela promotoria. A escola, que atende aproximadamente 1.200 alunos do ensino médio, suspendeu as aulas do dia e disponibilizou apoio psicológico.
Por que isso importa? A Turquia, sob a liderança de Recep Tayyip Erdogan, tem um dos maiores índices de mortalidade no trânsito da Europa, com mais de 7.000 mortes anuais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. O país investiu bilhões de dólares em megaprojetos – como o novo aeroporto de Istambul e pontes monumentais –, mas a manutenção de calçadas, faixas de pedestres e sinalização básica permanece precária, especialmente em bairros periféricos e áreas escolares.
Análise FORTIS: O caso ilustra um padrão recorrente em países de estado hipertrofiado e baixa accountability. O governo central turco tributa pesadamente a população – a carga tributária chega a 35% do PIB –, mas entrega serviços públicos de má qualidade. Enquanto isso, o excesso de regulamentação sobre motoristas e veículos não se traduz em fiscalização efetiva. O resultado é um ambiente onde a imprudência individual encontra solo fértil na negligência estatal.
Do ponto de vista liberal-conservador, a tragédia poderia ser mitigada por duas vias complementares: responsabilização penal rigorosa do motorista (garantia de que o erro individual tenha consequências) e descentralização da gestão de trânsito para prefeituras ou conselhos comunitários, que poderiam instalar redutores de velocidade e melhorar calçadas com mais agilidade do que a burocracia centralizada de Ancara. A soberania nacional turca não é ameaçada por permitir que bairros decidam onde colocar lombadas.
Contraponto: Defensores do governo Erdogan argumentam que a taxa de acidentes fatais caiu 30% na última década graças a campanhas educativas e endurecimento das multas. De fato, segundo o Ministério do Interior turco, o número de mortes no trânsito passou de 10.000 em 2015 para 7.200 em 2025. No entanto, a redução é insuficiente diante do aumento da frota – que cresceu 40% no mesmo período – e da persistência de pontos críticos como o entorno de escolas. A verdade factual é que o progresso existe, mas é lento e mal distribuído.
Por Renan Filho · 2026-09-24