FORTIS
← FORTIS
Ciencia

Zema afirma que levará campanha à Presidência até o fim e prevê união da direita no segundo turno

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

Governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou que manterá sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto até o último momento do primeiro turno, e que a direita brasileira se unirá em torno de um nome na segunda etapa da disputa. A declaração foi feita durante evento de Ciência, Inovação e Tecnologia em Belo Horizonte.

**Lead**

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta terça-feira (29) que levará sua pré-campanha à Presidência da República até o fim do primeiro turno das eleições de 2026 e que, na avaliação dele, a direita brasileira se reunificará em torno de um único nome no segundo turno para derrotar o que chamou de “projeto de poder da esquerda”. A declaração foi feita durante a abertura da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada no Expominas, em Belo Horizonte, evento que reúne cientistas, empreendedores e representantes de universidades de todo o país.

Segundo Zema, a união das forças de centro-direita e direita é “inevitável” após a definição dos dois candidatos mais votados. Ele não citou nomes, mas afirmou que o campo político que defende liberalismo econômico e responsabilidade fiscal precisa estar coeso para garantir a governabilidade e evitar o que classificou como “retrocessos nas políticas de inovação e ciência”.

**Contexto**

Zema é hoje um dos nomes cotados para a sucessão presidencial, ao lado de figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a senadora Damares Alves (Republicanos). Apesar de não ter lançado oficialmente a candidatura, o governador mineiro intensificou nos últimos meses viagens pelo Brasil e participações em debates sobre desenvolvimento econômico e tecnologia.

A fala de Zema ocorre em um momento em que pesquisas internas de partidos de centro-direita indicam fragmentação do eleitorado conservador. Dados de institutos como o Datafolha e o Ipec, citados por analistas políticos, mostram que, sem uma candidatura única, o campo de direita pode perder força no primeiro turno e dificultar a formação de uma coalizão competitiva para o segundo.

Durante o evento de ciência, Zema defendeu que a pauta da inovação tecnológica deve ser central no debate eleitoral. Ele destacou que, em seu governo, Minas Gerais avançou em parcerias público-privadas para pesquisa aplicada, com destaque para programas de bolsas de estudos em áreas de engenharia, biotecnologia e inteligência artificial. “Não existe país desenvolvido sem ciência forte”, disse o governador, em discurso gravado e exibido no auditório principal da conferência.

**Análise**

A declaração de Zema sobre a união da direita no segundo turno ecoa um movimento observado em eleições anteriores, quando candidatos de centro-direita e direita se retiraram ou apoiaram mutuamente após o primeiro turno para evitar a dispersão de votos. Em 2022, por exemplo, parte do Novo e do Republicanos apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora, com um cenário mais pulverizado — que inclui também a possível candidatura do apresentador José Luiz Datena (PSDB) e do senador Sergio Moro (União Brasil) —, o apelo de Zema à unidade ganha contornos estratégicos.

Para cientistas políticos que acompanham o evento, a estratégia de Zema de vincular sua pré-campanha à agenda de ciência e tecnologia busca diferenciá-lo de outros pré-candidatos de direita, que concentram discurso em pautas de costumes ou segurança pública. “Ele tenta construir uma imagem de gestor moderno e conectado com o futuro, o que pode atrair um eleitorado jovem e urbano, mas precisa enfrentar o desafio de dialogar com as bases mais tradicionais do conservadorismo”, avaliou a professora de ciência política da UFMG, Helena Trindade, que participou da mesa de debates do evento.

Outro ponto de atenção é a própria viabilidade de Zema como nome da direita. Pesquisas qualitativas recentes, citadas por estrategistas de campanha, indicam que o governador mineiro ainda tem baixo índice de conhecimento nacional em comparação com Bolsonaro e Tarcísio. Por outro lado, sua gestão à frente de Minas Gerais, com equilíbrio fiscal e redução de gastos públicos, é bem avaliada por setores do mercado financeiro e do agronegócio.

A Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação segue até quinta-feira (1º de outubro) e deve reunir mais de três mil participantes, entre pesquisadores, gestores públicos e investidores. O evento é organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo governo de Minas Gerais.

**Fontes**

- Discurso do governador Romeu Zema (Novo) na abertura da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Belo Horizonte, em 29 de setembro de 2026. - Avaliação da professora de ciência política da UFMG, Helena Trindade, durante mesa de debates do evento. - Dados de pesquisas qualitativas e quantitativas citados por analistas políticos presentes na conferência. - Informações sobre o calendário eleitoral e pré-candidaturas disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.