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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória política desde que assumiu o Palácio da Liberdade. Dados de pesquisas internas e levantamentos de institutos nacionais indicam que Zema estagnou na preferência do eleitorado para a Presidência da República, não conseguiu emplacar uma candidatura competitiva ao governo mineiro e assiste, resignado, ao baixo desempenho de seu sucessor natural, que não decola nas intenções de voto. Enquanto isso, o nome do PL no estado, apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, cresce de forma consistente, ameaçando o domínio político que Zema construiu nos últimos anos.
**Contexto**
Romeu Zema foi reeleito em 2022 com ampla vantagem no primeiro turno — mais de 56% dos votos válidos —, consolidando-se como a principal liderança do Novo no país e um dos poucos governadores com perfil liberal e gestão fiscalista. Durante seu segundo mandato, Zema buscou nacionalizar seu nome, participando de eventos com outras lideranças do Novo e costurando alianças com partidos de centro-direita. No entanto, o cenário mudou abruptamente. Pesquisas qualitativas realizadas nos últimos meses mostram que o nome do governador não ultrapassa a casa dos dois dígitos nas simulações para presidente, ficando atrás de nomes como o do ex-presidente Lula, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e até mesmo de figuras como a senadora Damares Alves.
Aliados de Zema atribuem a estagnação à falta de exposição nacional consistente e ao cansaço do eleitorado mineiro com o desgaste natural de dois mandatos consecutivos. Além disso, o governador não conseguiu impulsionar seu sucessor — o nome indicado pelo Novo para disputar o governo do estado, que ainda patina nas pesquisas, com índices de intenção de voto inferiores ao de adversários como o ex-ministro Alexandre Silveira (PSD) e o senador Cleitinho (PSD). O baixo desempenho do sucessor reflete, segundo analistas, a ausência de uma máquina pública robusta para transferir votos, já que Zema sempre apostou em uma gestão mais enxuta, sem grandes obras ou programas populistas.
Paralelamente, o PL mineiro — comandado pelo senador eleito e ex-deputado — vem capitalizando o apoio de Bolsonaro e do ex-ministro da Justiça, além de nomes como o deputado federal Nikolas Ferreira. O partido conseguiu atrair prefeitos e vereadores insatisfeitos com a gestão Zema, especialmente no interior do estado, onde a falta de investimentos em infraestrutura e saúde tem sido alvo de críticas. Com isso, a chapa do PL para o governo de Minas se fortalece, enquanto Zema parece ter abandonado de vez a disputa local, concentrando seus esforços em tentar sobreviver nacionalmente.
Outro fator relevante é a própria estrutura do Novo. O partido, que já foi visto como uma alternativa renovadora, enfrenta escândalos internos, debandada de filiados e dificuldade de financiamento. Zema, que era o principal cabo eleitoral da sigla, hoje divide o palco com o próprio partido fragmentado. A situação é agravada pela ausência de uma vice ou sucessora competitiva em Minas — a atual vice-governadora, Professora Cleidinha, não conseguiu popularidade e sequer figura como opção viável para 2026.
**Análise**
A estagnação de Zema no cenário presidencial não é um fenômeno isolado. Ela revela as limitações de um projeto político que, embora bem-sucedido em um estado com forte cultura de gestão fiscal — como Minas Gerais —, não encontra ressonância no eleitorado nacional, mais polarizado entre petismo e bolsonarismo. O governador tentou se posicionar como uma terceira via liberal, mas o espaço para esse discurso encolheu drasticamente depois das eleições de 2022, quando a polarização se mostrou hegemônica.
O abandono da disputa em Minas é ainda mais preocupante para o Novo. Sem um nome forte para suceder Zema, o partido corre o risco de perder o governo do estado, o que enfraqueceria ainda mais a sigla e minaria a influência de Zema no tabuleiro político nacional. O baixo desempenho do sucessor aponta também para a falta de articulação política do governador, que não cultivou uma base sólida dentro do próprio partido e não fez as concessões necessárias para garantir a continuidade do projeto.
Além disso, a ascensão do PL no estado é sintomática. O bolsonarismo, mesmo após a derrota de 2022, segue forte em Minas Gerais, estado decisivo para qualquer candidatura presidencial. Zema, que sempre flertou com Bolsonaro sem se alinhar completamente, pode ter perdido os dois lados: não conquistou o eleitorado bolsonarista de forma plena e não conseguiu atrair o eleitorado moderado ou de centro-esquerda, que o vê como uma figura fria e distante das questões sociais.
**Fontes**
As informações deste artigo são baseadas em pesquisas de intenção de voto divulgadas por institutos como Datafolha, Ipec e Quaest, além de reportagens do jornal O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, G1 e análises do cientista político Leonardo Barreto. Também foram consultados documentos internos do Novo, notas oficiais do governo de Minas Gerais e declarações públicas de lideranças políticas mineiras.
Por Renan Filho · 2026-09-29