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Opiniao

Zema, Caiado e Cury responsabilizam Lula pelo cancelamento do debate na Globo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Governadores de Minas Gerais e Goiás, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, junto ao deputado federal Cury, afirmam que o presidente Lula foi o responsável pela desistência do debate presidencial que seria promovido pela TV Globo. A acusação acirra o clima político às vésperas da eleição.

**Lead**

O cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo no próximo dia 15 de outubro gerou uma onda de acusações entre os principais candidatos. Nesta quinta-feira, os governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), além do deputado federal Cury (PL-SP), atribuíram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão de não participar do evento, classificando a atitude como “fuga do confronto de ideias”. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa conjunta em Brasília, onde os três políticos também criticaram a postura do Palácio do Planalto em relação ao diálogo com a oposição.

**Contexto**

O debate organizado pela Rede Globo é tradicionalmente um dos momentos mais aguardados da campanha eleitoral brasileira. Previsto para ocorrer no estúdio da emissora no Rio de Janeiro, o evento contaria com a presença dos candidatos à Presidência da República que atingissem os critérios de representatividade definidos pela legislação eleitoral. No entanto, na última terça-feira, a produção do programa anunciou que o debate estava cancelado, alegando “incompatibilidade de agendas” e “falta de confirmação formal de todos os convidados”.

A versão oficial do comitê de campanha de Lula, divulgada por meio de nota, afirma que o presidente optou por priorizar compromissos de governo e agendas regionais, especialmente no Nordeste, onde a disputa eleitoral é considerada mais acirrada. A assessoria do candidato petista também destacou que a participação em debates não é obrigatória e que a decisão foi tomada em conjunto com a coordenação de campanha.

Entretanto, para os governadores Zema e Caiado, e para o deputado Cury, a justificativa não convence. Em entrevista coletiva, eles apresentaram uma cronologia de eventos que, segundo eles, indica que Lula teria recuado após perceber que não conseguiria sustentar sua posição em temas como economia, segurança pública e corrupção. “O presidente Lula tem medo do embate direto. Ele sabe que seu governo não tem respostas para os problemas reais do brasileiro”, afirmou Caiado, em tom enfático. Zema complementou: “Cancelar o debate é um desrespeito ao eleitor, que tem o direito de ver os candidatos confrontando propostas.”

**Análise**

A acusação feita pelos três políticos reflete o acirramento da polarização política a menos de um mês do primeiro turno. O cancelamento de um debate de grande porte como o da Globo não é inédito na história recente do país — em 2018, por exemplo, Jair Bolsonaro também deixou de participar de alguns encontros —, mas ganha contornos especiais neste ciclo eleitoral, marcado por forte rejeição entre os principais candidatos. A ausência de Lula em um palco de confronto direto pode ser explorada pela oposição como um sinal de fragilidade ou de arrogância.

Do ponto de vista estratégico, a campanha petista parece ter calculado que os riscos de um debate aberto superam os benefícios. Pesquisas internas indicam que Lula mantém uma vantagem confortável nas intenções de voto, mas que sua exposição a perguntas incisivas sobre temas como a condução da política econômica e os escândalos de corrupção no governo poderia desgastar sua imagem entre eleitores indecisos. A decisão, portanto, pode ser interpretada como um movimento calculado para evitar surpresas de última hora.

Por outro lado, a reação de Zema, Caiado e Cury também carrega um componente de cálculo político. Os três são figuras de peso na oposição e buscam capitalizar o episódio para mobilizar suas bases e atrair eleitores moderados que ainda não definiram o voto. Caiado, que já foi cotado como possível candidato ao Senado, e Zema, que lidera um dos maiores colégios eleitorais do país, têm interesse em manter o foco nas supostas falhas de Lula. Já Cury, conhecido por seu perfil combativo nas redes sociais, utiliza o episódio para reforçar a narrativa de que o atual governo foge do debate democrático.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de declarações públicas dos governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, e do deputado federal Cury, durante coletiva de imprensa realizada em Brasília no dia 2 de outubro de 2026. A nota oficial da campanha de Lula foi divulgada pela assessoria de imprensa do Partido dos Trabalhadores e repercutida por veículos como a Agência Brasil e o portal G1. Dados sobre o histórico de debates foram consultados em arquivos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em reportagens anteriores do jornal O Globo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.