**Lead**
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apelou ao governo dos Estados Unidos por novas sanções contra a Rússia, em resposta à recente suspensão de medidas anunciada pelo ex-presidente Donald Trump em relação ao Brasil. O pedido foi feito durante uma entrevista coletiva em Kiev nesta quinta-feira, 17 de outubro de 2026, e ocorre em um momento de tensão diplomática entre Washington e Brasília, após Trump ter interrompido acordos comerciais e de cooperação bilateral. Zelensky argumentou que a Rússia explora brechas no regime de sanções globais e que a postura de Trump enfraquece a unidade ocidental contra Moscou.
**Contexto**
A suspensão anunciada por Trump na semana passada incluiu a paralisação de negociações sobre tarifas agrícolas e a suspensão de assistência técnica em áreas de segurança cibernética, afetando diretamente o Brasil. A decisão foi justificada por divergências comerciais e críticas do ex-presidente à política ambiental brasileira. Embora Trump não ocupe mais a Casa Branca desde janeiro de 2025, ele mantém influência política significativa e lidera a oposição ao governo atual. O pedido de Zelensky reflete a preocupação do governo ucraniano de que qualquer sinal de desunião entre aliados ocidentais seja explorado pela Rússia para aliviar sua pressão econômica e militar.
As sanções internacionais contra a Rússia, impostas após a invasão da Ucrânia em 2022, foram ampliadas progressivamente pela União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos. No entanto, nos últimos meses, houve uma queda na implementação de novas restrições, especialmente em áreas como energia e tecnologia. O governo ucraniano tem pressionado por medidas mais rigorosas contra o setor bancário russo e o comércio de diamantes e metais. A suspensão de Trump, ainda que não tenha relação direta com a Ucrânia, é vista por Kiev como um sintoma de cansaço internacional com o conflito.
**Análise**
O apelo de Zelensky ocorre em um contexto de incerteza geopolítica. Analistas apontam que a decisão de Trump de suspender medidas com o Brasil pode ser interpretada como um movimento para redesenhar alianças, possivelmente com um viés de aproximação com países que resistem a sanções contra Moscou. O Brasil, sob o governo atual, manteve uma posição neutra no conflito, recusando-se a fornecer armas à Ucrânia e defendendo negociações de paz. Isso já havia gerado atritos com Washington durante a administração anterior. A ação de Trump, mesmo como figura de oposição, pode influenciar a política externa dos EUA se ele retornar ao poder em 2028.
Para a Ucrânia, cada dia de demora na imposição de novas sanções representa um ganho tático para a Rússia. O Ministério das Relações Exteriores ucraniano divulgou um relatório indicando que a Rússia continua a exportar gás liquefeito para países da Ásia e África através de uma rede de empresas de fachada. Sem um aperto coordenado, essas rotas permanecem abertas. O pedido de Zelensky não é apenas uma demanda diplomática, mas um alarme sobre a fragmentação do consenso ocidental. Especialistas em segurança internacional alertam que a suspensão de Trump para o Brasil pode ser o primeiro de vários movimentos que enfraquecem o regime de sanções, caso outros líderes sigam o exemplo.
**Fontes**
As informações foram baseadas em declarações oficiais do governo ucraniano transmitidas por agências internacionais como Reuters e Associated Press, além de relatórios do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia e análises de think tanks como o Council on Foreign Relations. Dados sobre sanções foram obtidos de fontes abertas do Departamento do Tesouro dos EUA e da Comissão Europeia.
Por Renan Filho · 2026-10-17