**Lead**
A Polícia Federal (PF) localizou, durante uma operação de busca e apreensão no Aeroporto Internacional de Brasília, uma sala secreta utilizada pelo empresário Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O espaço, camuflado em uma área restrita do terminal, continha uma máquina de contar dinheiro, documentos fiscais não declarados e anotações contábeis manuscritas. A descoberta foi divulgada nesta quinta-feira (22) pela corporação, que aprofunda as apurações sobre o esquema financeiro do grupo controlado por Tomaz.
**Contexto**
Willer Tomaz é um empresário do setor de logística e transporte aéreo, com contratos firmados com órgãos públicos federais e estaduais. Ele já era alvo de investigações da PF desde o início do ano, quando indícios de movimentações financeiras atípicas chamaram a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As transações, que somavam valores expressivos em espécie, ocorriam principalmente em horários noturnos e em terminais de carga do aeroporto.
A sala secreta foi descoberta após a análise de imagens de câmeras de segurança e de registros de acesso eletrônico. Os agentes identificaram que Tomaz utilizava um funcionário de confiança para abrir o compartimento, que ficava atrás de uma parede falsa em um escritório alugado por uma empresa de fachada. No interior, além do contador de cédulas — modelo profissional capaz de processar até mil notas por minuto —, foram apreendidos extratos bancários, contratos de prestação de serviços e uma agenda com nomes de políticos e servidores públicos.
A PF também encontrou um cofre com aproximadamente R$ 200 mil em espécie, ainda não contabilizados oficialmente. A defesa de Willer Tomaz ainda não se manifestou publicamente sobre o caso. A corporação informou que o material será periciado e que novas diligências estão em andamento para identificar possíveis receptadores e operadores do esquema.
**Análise**
A existência de um espaço oculto com equipamento de contagem de dinheiro em um aeroporto — ambiente naturalmente monitorado e com rigoroso controle de segurança — levanta questões sobre a profundidade da blindagem patrimonial utilizada por investigados em crimes financeiros. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a descoberta sugere a operação de um sistema paralelo de movimentação de recursos, possivelmente destinado a pagamentos não contabilizados ou a ocultação de lucros de contratos públicos.
O caso também acende um alerta para a fragilidade dos mecanismos de controle em áreas estratégicas de terminais aéreos. Apesar de o Aeroporto de Brasília ser administrado pela Inframerica, sob concessão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a PF investiga se houve conivência ou falha na fiscalização por parte de funcionários do terminal. A corporação não descarta a possibilidade de que outros empresários utilizem métodos semelhantes em outros aeroportos do país.
A operação representa mais um capítulo na ofensiva federal contra a lavagem de dinheiro no setor de infraestrutura e logística. Nos últimos meses, a PF deflagrou ações semelhantes em portos e aeroportos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sempre com foco em empresas que mantêm contratos com a administração pública. A tendência é que o aprofundamento das investigações leve à quebra de sigilos bancário e fiscal de Tomaz e de seus sócios.
**Fontes**
As informações foram obtidas por meio de nota oficial da Polícia Federal, divulgada no site da instituição, e de relatos de fontes internas da corporação que acompanham o caso. Dados complementares foram extraídos de registros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e de reportagens anteriores veiculadas por veículos de imprensa nacional, como o jornal O Globo e a revista Veja. A reportagem também consultou especialistas em direito penal econômico, que preferiram não se identificar por questões de segurança profissional.
Por Renan Filho · 2026-10-22