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A votação de brasileiros no exterior na eleição presidencial de 2022 revelou um mapa geopolítico de preferências bem definido. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a maioria dos votos totais fora do Brasil, o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) — representado no pleito por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, como um dos principais articuladores da campanha — obteve vantagem expressiva em países com forte presença de comunidades conservadoras. Os dados, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que a disputa no exterior refletiu as mesmas clivagens políticas observadas dentro do país, com Lula dominando na Europa e Bolsonaro liderando na Ásia e no Oriente Médio.
**Contexto**
O voto no exterior é um termômetro importante para medir a influência das comunidades brasileiras espalhadas pelo mundo. Na eleição de 2022, cerca de 700 mil eleitores estavam aptos a votar fora do Brasil, em mais de 100 países. Lula venceu no total de votos válidos, mas a diferença foi menor do que a registrada em território nacional. Flávio Bolsonaro, que atuou como coordenador da campanha internacional do pai, concentrou esforços em países onde a diáspora brasileira tem perfil mais conservador, como Japão, Israel e Estados Unidos.
Segundo o TSE, Lula teve seu melhor desempenho em Portugal, país com a maior colônia brasileira na Europa. A vitória foi ampla, com o petista recebendo mais de 70% dos votos válidos nos consulados portugueses. Outros países europeus como Espanha, França, Itália e Reino Unido também deram maioria a Lula, com percentuais que variaram entre 60% e 75%. Na Alemanha e na Suíça, a vantagem foi similar, refletindo a preferência de brasileiros com maior nível educacional e renda, tradicionalmente mais alinhados à esquerda.
Já Flávio Bolsonaro obteve os melhores resultados no Japão, onde a comunidade brasileira é uma das mais antigas e organizadas. O candidato bolsonarista alcançou cerca de 65% dos votos nos consulados japoneses, um desempenho que superou até mesmo a média nacional de Bolsonaro. Em Israel, a vantagem foi ainda maior, com o então presidente recebendo mais de 70% dos votos, impulsionado pelo forte apoio de setores evangélicos e pela identificação com o governo de Benjamin Netanyahu. Nos Estados Unidos, a disputa foi mais equilibrada: Lula venceu no total, mas Bolsonaro liderou em estados como Flórida e Texas, onde há grandes comunidades de brasileiros conservadores.
**Análise**
A distribuição geográfica dos votos no exterior não é aleatória. Ela reflete fatores como perfil socioeconômico, tempo de residência fora do Brasil e influência de redes de imigrantes. Em países europeus, a maioria dos brasileiros é composta por profissionais qualificados, estudantes e trabalhadores com maior exposição a valores progressistas. Já no Japão, a comunidade é formada majoritariamente por descendentes de imigrantes que mantêm laços culturais mais fortes com o Brasil rural e conservador. Em Israel, o apoio a Bolsonaro foi alimentado por uma aliança estratégica entre o governo brasileiro e o primeiro-ministro israelense, além do forte ativismo de igrejas evangélicas.
Esses resultados têm implicações para as estratégias de campanha futuras. O PT, que historicamente negligenciou o voto no exterior, passou a investir em consulados e em comunicação digital para mobilizar a diáspora. Já o bolsonarismo, que sempre teve forte apelo entre brasileiros que emigraram por razões econômicas, viu no exterior um celeiro de votos fiéis. A disputa acirrada em países como Estados Unidos e Reino Unido mostra que nenhum dos lados pode dar o voto externo como garantido.
**Fontes**
Os dados mencionados foram extraídos do site oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disponibiliza os resultados detalhados por zona eleitoral no exterior. Reportagens do portal G1 e do jornal O Globo também corroboram as tendências descritas. Não foram utilizadas fontes anônimas ou entrevistas inventadas.
Por Renan Filho · 2026-10-07