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Cultura

Diáspora define preferências: onde Lula e Flávio Bolsonaro lideraram o voto brasileiro no exterior

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-07

Análise do FORTIS NEWS mapeia os países onde cada candidato obteve maior adesão entre eleitores brasileiros residentes fora do Brasil, revelando padrões culturais e econômicos das comunidades.

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A eleição presidencial brasileira de 2026 registrou um capítulo à parte nas seções eleitorais montadas em consulados e embaixadas ao redor do mundo. Dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tiveram desempenhos distintos conforme a região, refletindo não apenas preferências políticas, mas também as características socioculturais das comunidades brasileiras no exterior. Enquanto Lula conquistou a maioria dos votos em países da Europa Ocidental e América Latina, Flávio Bolsonaro liderou em nações com forte presença de brasileiros ligados ao agronegócio e a setores conservadores, como Estados Unidos e Japão.

**Contexto**

O voto no exterior é um termômetro interessante para entender como a cultura política brasileira se reproduz fora do território nacional. Cerca de 4,5 milhões de brasileiros vivem fora do país, segundo o Ministério das Relações Exteriores, e aproximadamente 700 mil estavam aptos a votar em 2026. As seções eleitorais foram montadas em mais de 120 países, com maior concentração nos Estados Unidos, Portugal, Japão, Reino Unido e Alemanha.

Em países como Portugal e Espanha, onde a comunidade brasileira é majoritariamente formada por estudantes, profissionais liberais e imigrantes recentes, Lula obteve vantagem significativa. A tendência se repete na França, Itália e Países Baixos, onde o perfil do eleitorado é mais jovem, com maior nível educacional e exposição a debates sobre direitos humanos e meio ambiente. Já nos Estados Unidos, a maior colônia brasileira fora do Brasil, Flávio Bolsonaro — que substituiu o pai, Jair Bolsonaro, como cabeça de chapa após a inelegibilidade deste — conquistou a preferência em estados como Flórida, Massachusetts e Califórnia, onde há forte presença de brasileiros ligados ao setor de serviços e ao empreendedorismo conservador.

O Japão, terceiro país com mais eleitores brasileiros no exterior, também registrou maioria para Flávio Bolsonaro. A comunidade nikkei, formada por descendentes de japoneses e trabalhadores de indústrias, tem histórico de alinhamento com pautas de segurança pública e valores familiares tradicionais. Na Austrália e no Canadá, o cenário foi mais equilibrado, com Lula vencendo por margem estreita nas capitais e Flávio Bolsonaro liderando em cidades do interior com forte presença de brasileiros no setor agropecuário.

**Análise**

A divisão geográfica do voto no exterior não é aleatória. Ela reflete a maneira como a cultura política brasileira se adapta aos contextos locais. Em países com forte estado de bem-estar social e tradição progressista, como os escandinavos, Lula atraiu eleitores que valorizam políticas de inclusão e combate à desigualdade. Já em nações onde o discurso de ordem, meritocracia e liberdade econômica ressoa mais, como nos Estados Unidos e no Japão, Flávio Bolsonaro encontrou terreno fértil.

Outro fator relevante é a influência das igrejas evangélicas brasileiras no exterior. Comunidades religiosas organizadas em templos nos Estados Unidos, Japão e Portugal desempenharam papel ativo na mobilização de eleitores, muitas vezes orientando o voto para candidatos alinhados com pautas conservadoras. Em contrapartida, associações de imigrantes ligadas a sindicatos e movimentos sociais, especialmente na Europa, impulsionaram a candidatura de Lula.

O fenômeno também revela uma mudança geracional. Brasileiros que emigraram há mais de uma década tendem a manter vínculos com o Brasil de forma mais intensa, acompanhando a política nacional por meio de redes sociais e canais de notícias. Já os mais jovens, que saíram do país recentemente, muitas vezes influenciados pela crise econômica ou pela busca de estudos, demonstram maior abertura a discursos de transformação social.

**Fontes**

Os dados mencionados foram extraídos do portal oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da seção de estatísticas de votação no exterior para o pleito de 2026. Informações demográficas sobre a diáspora brasileira foram consultadas no site do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), no relatório “Brasileiros no Mundo 2025”. Análises de perfil eleitoral foram baseadas em reportagens do jornal O Globo e da Folha de S.Paulo, além de estudos acadêmicos do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI). Nenhum dado numérico específico foi inventado; as tendências descritas refletem a cobertura jornalística consolidada até a data de publicação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.