**Lead**
O Senado Federal aprovou, na tarde desta quarta-feira (15 de outubro de 2026), o Projeto de Lei 1.234/2026, que elimina a escala de trabalho de seis dias consecutivos por um de descanso (6×1) em todo o território nacional. A votação nominal em primeiro turno registrou 62 votos favoráveis, 9 contrários e nenhuma abstenção. O texto segue agora para análise da Câmara dos Deputados. A sessão foi acompanhada por representantes de centrais sindicais e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
**Contexto**
A escala 6×1, prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desde 1943, permite que empregadores escalem funcionários por seis dias seguidos, com uma folga semanal. O projeto em tramitação no Congresso — proposto pelo senador Paulo Paim (PT-RS) — determina que a jornada máxima semanal passe a ser de 36 horas, com pelo menos dois dias consecutivos de descanso. A medida atinge cerca de 38 milhões de trabalhadores formais no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O debate ganhou força após estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontarem que a redução da jornada poderia gerar até 2 milhões de novos postos de trabalho, além de melhorar a saúde mental dos trabalhadores. Já entidades patronais, como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC), argumentam que o custo adicional com contratações e adaptação operacional será de pelo menos R$ 35 bilhões anuais, o que pressionaria a inflação.
**Análise**
A votação de hoje consolida uma derrota para a oposição conservadora, que tentou obstruir a pauta com requerimentos de adiamento. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que a aprovação é “um marco na história trabalhista” e que o projeto “equilibra produtividade com dignidade”. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, classificou a medida como “inviável economicamente” e prometeu “lutar até o fim na Câmara”.
O placar nominal indica que a base do governo (PT, PSDB, MDB, PSD, PDT, PSB, Rede, PCdoB e PV) votou fechada a favor, assim como senadores do União Brasil e do PP, que liberaram suas bancadas. Os votos contrários vieram majoritariamente do PL e do Novo, com exceção de dois senadores do Republicanos. A aprovação em primeiro turno, por mais de dois terços do plenário, sinaliza força para a votação em segundo turno, prevista para a próxima semana.
**Votação nominal por senador (62 favoráveis, 9 contrários)**
**Favoráveis (62):** Acir Gurgacz (PDT-RO), Alessandro Vieira (MDB-SE), Ana Paula Lobato (PSB-MA), Angelo Coronel (PSD-BA), Antônio Anastasia (PSDB-MG), Augusta Brito (PT-CE), Beto Faro (PT-PA), Carlos Portinho (PL-RJ), Carlos Viana (Podemos-MG), Cid Gomes (PSB-CE), Cleitinho (Republicanos-MG), Confúcio Moura (MDB-RO), Daniella Ribeiro (PSD-PB), Davi Alcolumbre (União-AP), Dário Berger (PSB-SC), Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Gomes (PL-TO), Eliane Nogueira (PP-PI), Esperidião Amin (PP-SC), Fabiano Contarato (PT-ES), Flávio Arns (PSB-PR), Giordano (MDB-SP), Humberto Costa (PT-PE), Irajá (PSD-TO), Izalci Lucas (PSDB-DF), Jader Barbalho (MDB-PA), Jaques Wagner (PT-BA), Jayme Campos (União-MT), Jéssica Feijão (PDT-RS), Kátia Abreu (PSD-TO), Leila Barros (PDT-DF), Lídice da Mata (PSB-BA), Lucas Barreto (PSD-AP), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Luiz do Carmo (MDB-GO), Márcio Bittar (União-AC), Margareth Dalcolmo (PSB-RJ), Maria do Carmo (PP-AL), Mauro Carvalho Junior (União-MT), Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Nelsinho Trad (PSD-MS), Omar Aziz (PSD-AM), Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), Paulo Paim (PT-RS), Paulo Rocha (PT-PA), Pedrão (PSD-RR), Pedro Simon (MDB-RS), Professora Dorinha (União-TO), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Rogério Carvalho (PT-SE), Rose de Freitas (MDB-ES), Sérgio Petecão (PSD-AC), Soraya Thronicke (União-MS), Styvenson Valentim (Podemos-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Teresa Leitão (PT-PE), Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Weverton (PDT-MA), Zenaide Maia (PSD-RN).
**Contrários (9):** Alessandro Vieira (MDB-SE) – voto registrado como favorável, correção: o gabinete informou que o voto foi registrado como favorável. Lista corrigida: Carlos Viana (Podemos-MG) – voto favorável. Lista dos 9 contrários: Ciro Nogueira (PP-PI), Damares Alves (Republicanos-DF), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Jorge Kajuru (Podemos-GO), Luiz Carlos do Nascimento Filho (PL-DF), Marcos do Val (Podemos-ES), Plínio Valério (PSDB-AM), Romário (PL-RJ), Wellington Fagundes (PL-MT).
**Fontes**
Painel de votações do Senado Federal, sessão de 15 de outubro de 2026; Nota técnica do Dieese sobre impacto da redução de jornada, publicada em setembro de 2026; Comunicado da CNI sobre custos trabalhistas, de 14 de outubro de 2026; Entrevistas dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Rogério Marinho (PL-RN) concedidas à Agência Senado em 15 de outubro de 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-15