**Lead**
A construtora Vorcaro Engenharia negou, em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), a acusação de que teria prometido imóveis ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) como contrapartida por favorecimentos em contratos públicos. A informação foi divulgada por fontes ligadas à investigação, que corre sob sigilo na Superintendência da PF no Distrito Federal. O caso faz parte de um inquérito mais amplo que apura desvios e irregularidades na gestão do BRB entre os anos de 2019 e 2022.
**Contexto**
O BRB é uma instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal, com atuação em todo o Brasil. Nos últimos anos, o banco esteve no centro de diversas apurações envolvendo contratos de publicidade, operações imobiliárias e concessão de crédito. A atual investigação da PF teve início após denúncias anônimas e relatórios do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) que apontaram indícios de superfaturamento e direcionamento de licitações.
A Vorcaro Engenharia é uma das maiores construtoras do país, com histórico de obras públicas em parceria com governos estaduais e federais. A empresa já foi alvo de outras investigações, mas sempre negou irregularidades. No depoimento, os representantes legais da construtora afirmaram que nunca houve qualquer promessa de imóveis ao ex-presidente do BRB, classificando a acusação como “infundada” e “fruto de delações premiadas de terceiros interessados em reduzir suas penas”.
O ex-presidente do BRB, que não foi nomeado oficialmente pela PF, também prestou depoimento e negou ter recebido qualquer benefício indevido. Ele é investigado por suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa do ex-dirigente afirma que todas as suas decisões à frente do banco foram pautadas pela legalidade e transparência.
**Análise**
A negativa da Vorcaro à PF não encerra o caso, mas insere um novo elemento no complexo quebra-cabeça das investigações. Em geral, depoimentos de empresas investigadas tendem a ser cautelosos e a evitar admitir qualquer conduta ilícita. A estratégia jurídica da construtora parece ser a de desqualificar as provas apresentadas pelos delatores, apostando na fragilidade das testemunhas e na ausência de documentos que comprovem a promessa de imóveis.
Para o cenário político do Distrito Federal, o caso tem repercussão direta. O BRB é um banco estratégico para o governo local, e qualquer escândalo envolvendo sua alta cúpula pode abalar a confiança dos investidores e da população. Além disso, a proximidade entre agentes públicos e grandes empreiteiras é um tema sensível no Brasil, especialmente após os desdobramentos da Operação Lava Jato. A PF deve agora confrontar as versões apresentadas com documentos bancários, registros de imóveis e quebras de sigilo telefônico.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de notas oficiais da Polícia Federal, relatórios do Tribunal de Contas do Distrito Federal e reportagens veiculadas por veículos de imprensa como o jornal Correio Braziliense e a TV Globo. O FORTIS NEWS não teve acesso direto aos autos do inquérito, que corre em segredo de justiça.
Por Renan Filho · 2026-10-30