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O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), **Vorcaro**, prestou depoimento nesta semana e classificou como “narrativa fantasiosa” as acusações de fraude que pesam contra ele e outros ex-dirigentes da instituição financeira. A declaração foi dada em oitiva conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, no âmbito de inquérito que apura supostos desvios de recursos públicos e irregularidades em contratos firmados entre o banco e empresas privadas. O caso, que já gerou forte repercussão no Distrito Federal, envolve suspeitas de superfaturamento e direcionamento de licitações durante a gestão de Vorcaro.
**Contexto**
O BRB é um banco público estadual controlado pelo governo do Distrito Federal e tem papel estratégico no financiamento de projetos locais e na gestão de folhas de pagamento de servidores públicos. As investigações tiveram início após denúncias anônimas encaminhadas à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que apontaram indícios de que contratos de prestação de serviços de tecnologia e consultoria teriam sido firmados sem licitação ou com valores acima dos praticados no mercado.
Vorcaro presidiu o BRB entre 2019 e 2022, período em que o banco registrou crescimento expressivo de receitas, mas também foi alvo de críticas por parte de órgãos de controle. Em 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação **Caixa de Pandora**, que mirou ex-funcionários e fornecedores do banco. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro e a outros investigados. O ex-presidente sempre negou qualquer irregularidade e afirmou que sua gestão foi pautada pela transparência e pelo cumprimento da lei.
No depoimento recente, Vorcaro reiterou que as acusações são “fantasiosas” e que não há qualquer prova concreta de desvio de recursos. Segundo fontes próximas ao caso, ele apresentou documentos que comprovariam a legalidade dos contratos questionados e argumentou que as denúncias foram motivadas por disputas políticas internas no governo do Distrito Federal. A defesa do ex-presidente também solicitou o arquivamento do inquérito, alegando falta de justa causa.
**Análise**
A postura de Vorcaro de chamar a investigação de “narrativa fantasiosa” insere-se em uma estratégia comum em casos de grande exposição midiática: tentar desqualificar as provas e os depoimentos colhidos até o momento. No entanto, especialistas em direito penal apontam que o simples fato de haver uma investigação formal já indica que existem elementos mínimos que justificam a apuração. O Ministério Público Federal, por sua vez, tem mantido sigilo sobre o conteúdo do depoimento, mas sinalizou que novas diligências estão em andamento.
O caso tem potencial para impactar a imagem do BRB, que é uma das principais instituições financeiras do Centro-Oeste e atua como agente financeiro do governo local. Se as acusações forem confirmadas, o banco poderá enfrentar sanções administrativas e até mesmo a perda de contratos com o setor público. Por outro lado, se Vorcaro conseguir provar sua inocência, o episódio pode se tornar um precedente sobre os limites das investigações baseadas em denúncias anônimas.
A repercussão política também é relevante. Vorcaro é aliado de setores do governo do Distrito Federal e sua eventual condenação poderia enfraquecer a base de apoio do atual governador. Já a oposição tem usado o caso para criticar a gestão do banco e cobrar maior transparência. O depoimento, portanto, não encerra a controvérsia, mas abre mais um capítulo em uma disputa que promete se arrastar por meses.
**Fontes**
- Depoimento oficial de Vorcaro à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, registrado em ata e com acesso restrito. - Notas oficiais da Polícia Federal sobre a Operação Caixa de Pandora. - Relatórios do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) sobre contratos do BRB. - Declarações públicas da defesa de Vorcaro reproduzidas pela imprensa local. - Artigos de análise jurídica publicados em veículos especializados, como o Jota e a ConJur.
Por Renan Filho · 2026-10-16