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Justiça aceita denúncia e 12 membros da Voepass se tornam réus por acidente que matou 62 pessoas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-21

A Justiça de São Paulo tornou réus 12 integrantes da cúpula e da equipe de manutenção da Voepass, em decorrência do desastre aéreo de Vinhedo que vitimou 62 pessoas. A decisão marca um passo crucial na responsabilização criminal.

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A Justiça de São Paulo aceitou, nesta terça-feira, a denúncia do Ministério Público contra 12 membros da Voepass, tornando-os réus pelo acidente aéreo ocorrido em Vinhedo, em agosto de 2024, que matou 62 pessoas. Entre os denunciados estão diretores, gerentes de manutenção e técnicos responsáveis pela aeronave ATR 72. A decisão judicial determina a abertura de ação penal por homicídio culposo e lesões corporais.

**Contexto**

O acidente aconteceu no dia 9 de agosto de 2024, quando o voo 2283, operado pela Voepass, caiu em uma área residencial de Vinhedo, interior de São Paulo, logo após decolar de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos. Todas as 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e 4 tripulantes — morreram. As investigações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontaram falhas técnicas no sistema de degelo da aeronave, além de problemas na manutenção e no treinamento da tripulação.

A denúncia do Ministério Público de São Paulo, apresentada em dezembro de 2025, indicou que a Voepash teria negligenciado procedimentos de segurança, mantendo a aeronave com registros de problemas de manutenção e sem a devida supervisão. Os 12 denunciados incluem o presidente da companhia, o diretor de operações, o chefe de manutenção e nove técnicos envolvidos na revisão do avião nos meses anteriores ao acidente.

**Análise**

A transformação desses executivos e técnicos em réus representa um marco na responsabilização de empresas aéreas no Brasil. Diferentemente de acidentes anteriores, em que as investigações se concentravam apenas na falha humana dos pilotos, agora o foco se volta para a cadeia de decisões corporativas que podem ter contribuído para a tragédia. Especialistas em direito aeronáutico apontam que a decisão judicial pode abrir precedente para que familiares das vítimas busquem indenizações mais robustas e para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revise os mecanismos de fiscalização.

O caso também acende um alerta sobre a segurança na aviação regional. A Voepass, que opera principalmente rotas para cidades do interior, já havia sido multada pela Anac por irregularidades de manutenção em anos anteriores. A pressão pública após o acidente de 2024 levou a companhia a anunciar um amplo plano de reestruturação, mas a sobrevivência da empresa agora depende também do desfecho criminal.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais do Tribunal de Justiça de São Paulo, da denúncia do Ministério Público de São Paulo, de relatórios do Cenipa e de reportagens veiculadas por G1, UOL e Folha de S.Paulo, todas com base em documentos judiciais públicos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.