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Internacional

Vitória de Lula dá sobrevida a Motta e Alcolumbre no Congresso e reabre ponte com o Centrão

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-26

Com a vitória do governo na aprovação da regulamentação da reforma tributária, os presidentes da Câmara e do Senado ganham fôlego político para conduzir a agenda legislativa até 2027, enquanto articulam a sucessão no comando das duas Casas.

**Lead**

A vitória do governo Luiz Inácio Lula da Silva na aprovação da regulamentação da reforma tributária, no fim de outubro, deu sobrevida política aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre. Após semanas de negociações que quase levaram o texto ao colapso, os dois parlamentares conseguiram entregar a pauta exigida pelo Planalto e agora respiram aliviados diante das articulações para a sucessão das Mesas Diretoras, marcada para o início de 2027.

**Contexto**

A votação da reforma tributária foi considerada a principal prova de fogo do novo ciclo político no Congresso. Motta assumiu a presidência da Câmara em fevereiro de 2025, com o apoio de um amplo arco partidário que ia do PT ao PL, enquanto Alcolumbre voltou ao comando do Senado após articulação semelhante. Ambos herdaram um Congresso fragmentado, com forte presença de partidos de centro e da oposição, e precisavam demonstrar capacidade de construir maioria para pautas sensíveis.

Nos bastidores, a avaliação era de que uma eventual derrota nas votações da reforma enfraqueceria a posição dos dois presidentes diante de suas bancadas e abriria espaço para candidaturas adversárias na disputa pelas Mesas. A base governista, por sua vez, via na entrega da reforma uma condição para manter o apoio do Centrão ao governo até o fim do mandato. O desfecho positivo, portanto, teve impacto duplo: consolidou a imagem de Motta e Alcolumbre como articuladores capazes de unificar um plenário heterogêneo e reforçou a aliança entre o Planalto e os partidos do chamado Centrão.

As negociações finais foram marcadas por idas e vindas. O texto da regulamentação, que trata da implantação do Imposto sobre Bens e Serviços e do Comitê Gestor, enfrentou resistências de setores econômicos que queriam alterações em regimes específicos. Lideranças partidárias chegaram a adiar a votação mais de uma vez diante de impasses pontuais. A solução veio com a inclusão de ajustes de última hora que ampliaram o escopo de benefícios para categorias como prestadores de serviço e produtores rurais, garantindo votos suficientes para a aprovação.

**Análise**

O resultado tem impacto imediato no calendário sucessório. Motta, que poderia enfrentar o desgaste de uma derrota num tema tratado pelo governo como prioridade, agora chega fortalecido às conversas sobre a nova composição da Mesa Diretora da Câmara. O mesmo ocorre com Alcolumbre no Senado, onde a disputa pela presidência costuma envolver acordos complexos entre blocos partidários e indicações para cargos estratégicos. A vitória legislativa serve como trunfo para ambos argumentarem que a permanência de seus nomes à frente das Casas garante estabilidade e previsibilidade à agenda do Congresso.

No plano político mais amplo, a aprovação da reforma tributária representa uma vitória concreta do governo Lula em um cenário de baixa popularidade e de economia com desafios fiscais. Para o Centrão, a aliança com o Planalto se traduz em espaço no Orçamento e em cargos no primeiro e segundo escalões. A entrega da pauta econômica, nesse sentido, é a moeda que sustenta a coalizão. A sobrevida de Motta e Alcolumbre, portanto, não é apenas pessoal: é a demonstração de que o presidencialismo de coalizão brasileiro ainda opera, mesmo com um Congresso pulverizado e com eleições municipais recentes alterando as dinâmicas partidárias.

O próximo teste será a análise dos vetos presidenciais e a votação do Orçamento de 2027, que devem ocorrer antes do recesso parlamentar. Nesses temas, o governo precisará novamente do empenho de Motta e Alcolumbre para evitar constrangimentos. A diferença é que, agora, ambos partem de uma posição mais confortável, com a reforma tributária aprovada e o Planalto demonstrando disposição para negociar. A permanência dos dois no comando das Casas, que chegou a ser dada como incerta por aliados do governo, tornou-se o cenário mais provável.

**Fontes**

As informações são baseadas nos resultados oficiais das votações na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, em notas publicadas pelas agências de notícias e nos pronunciamentos públicos dos parlamentares durante as sessões legislativas. A cobertura jornalística das votações da reforma tributária e das articulações sucessórias foi acompanhada em tempo real pelos portais das duas Casas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.