**Lead**
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais brasileiras de 2026, confirmada no último domingo, gerou uma onda de reações positivas na imprensa e nos governos estrangeiros, que destacam a chance de uma virada histórica para o país. O foco das análises internacionais não se limitou à política doméstica: a comunidade científica global e veículos como *The New York Times*, *The Guardian* e *Le Monde* apontaram a eleição como um divisor de águas para a retomada de políticas de combate ao desmatamento, investimento em pesquisa e reinserção do Brasil em acordos multilaterais de ciência e tecnologia.
**Contexto**
Nos últimos anos, o Brasil enfrentou um período de forte redução orçamentária para as universidades federais e institutos de pesquisa, como o CNPq e a Capes. Dados do Observatório do Conhecimento indicam que o investimento federal em ciência e tecnologia caiu para o menor patamar em duas décadas, com cortes que afetaram diretamente a produção de vacinas, a pesquisa na Amazônia e programas de pós-graduação. Paralelamente, o desmatamento médio anual na Amazônia Legal atingiu níveis recordes, gerando críticas internacionais e ameaças de sanções comerciais por parte da União Europeia.
A vitória de Lula, que já governou o país entre 2003 e 2010, é vista como uma reversão desse cenário. Durante seus mandatos anteriores, o Brasil criou o programa Ciência sem Fronteiras, expandiu o sistema de pós-graduação e reduziu drasticamente o desmatamento, com a criação de unidades de conservação e fortalecimento do IBAMA. A expectativa é que o novo governo retome essas políticas, com ênfase na bioeconomia, na transição energética e na proteção da biodiversidade.
**Análise**
A repercussão internacional da vitória de Lula carrega um forte componente científico e ambiental. O presidente eleito já sinalizou que pretende recriar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com status elevado, além de indicar nomes ligados à academia para pastas estratégicas. A comunidade científica internacional, que havia rompido canais oficiais com o governo anterior, agora vê a possibilidade de retomar colaborações em áreas como mudanças climáticas, genômica e inteligência artificial.
Para além da política, a vitória de Lula representa um reposicionamento do Brasil no cenário global. O país, que sediará a COP30 em 2025, volta a ser visto como um protagonista capaz de articular a agenda ambiental com o desenvolvimento científico. A expectativa é que o novo governo busque parcerias com potências como Alemanha, França e Estados Unidos para financiar projetos de pesquisa na Amazônia e em energias renováveis. A virada histórica, portanto, não é apenas eleitoral, mas também uma janela de oportunidade para que o Brasil recupere sua credibilidade como nação inovadora e comprometida com o futuro do planeta.
**Fontes**
As informações foram baseadas em reportagens dos jornais *The New York Times*, *The Guardian*, *Le Monde* e *El País*, além de comunicados oficiais da União Europeia e do governo francês. Dados sobre cortes orçamentários foram obtidos do Observatório do Conhecimento e de relatórios do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). As declarações de Lula sobre a recriação de ministérios foram extraídas de entrevistas concedidas à imprensa nacional e internacional durante a campanha.
Por Renan Filho · 2026-10-26