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O economista e ex-secretário de Política Econômica Dario Durigan rebateu, nesta quarta-feira (22), as declarações do senador Flávio Dino (PSB-MA) sobre o chamado “Vira Pix”, proposta que prevê a transformação do sistema de pagamentos instantâneos em uma plataforma estatal. Durigan afirmou que o governo federal já possui uma proposta concreta para o tema, em fase de discussão técnica, e que não se trata de uma estatização, mas sim de um aprimoramento regulatório. A declaração foi feita durante evento sobre inovação financeira em Brasília.
**Contexto**
O debate sobre o “Vira Pix” ganhou força nas últimas semanas após o senador Flávio Dino sugerir, em audiência pública no Senado, que o Banco Central deveria assumir o controle total do Pix, transformando-o em um serviço público gratuito e obrigatório para todas as instituições financeiras. Dino argumentou que a medida reduziria custos para a população e evitaria abusos por parte dos bancos privados, que cobram tarifas em algumas transações. A proposta, no entanto, gerou reação imediata do setor financeiro e de parte do governo, que veem riscos de ineficiência e de desestímulo à inovação.
Durigan, que atualmente atua como consultor econômico e integra grupos de estudo sobre meios de pagamento, foi um dos primeiros a responder publicamente ao senador. Em sua fala, ele destacou que o Pix já é um sistema híbrido, operado pelo Banco Central, mas com participação ativa de bancos, fintechs e demais instituições. “Não há necessidade de estatizar o Pix. O que existe é uma proposta de aperfeiçoamento regulatório, que já está sendo discutida no âmbito do Conselho Monetário Nacional e do próprio Banco Central”, afirmou Durigan, sem entrar em detalhes sobre o conteúdo exato da proposta.
O termo “Vira Pix” foi cunhado por analistas para designar a ideia de transformar o sistema em uma plataforma exclusivamente estatal, similar ao que ocorre com o sistema de pagamentos indiano, o UPI, que é controlado pelo governo. No Brasil, o Pix foi lançado em 2020 e rapidamente se tornou o meio de pagamento mais utilizado, com mais de 160 milhões de usuários cadastrados. Apesar do sucesso, críticos apontam que a concentração de poder nas mãos de grandes bancos ainda gera assimetrias, como a cobrança de taxas para pessoas jurídicas e limites de transação.
**Análise**
A resposta de Durigan sinaliza que o governo não pretende ceder à pressão por uma estatização total do Pix, mas reconhece a necessidade de ajustes. A proposta em discussão, segundo fontes próximas ao Ministério da Fazenda, deve focar em três pilares: transparência tarifária, interoperabilidade total entre carteiras digitais e criação de um fundo de desenvolvimento para pequenas fintechs. Essas medidas visam atender às críticas de Flávio Dino sem romper com o modelo atual, que é elogiado internacionalmente por sua eficiência e baixo custo.
Para o mercado, a polêmica em torno do “Vira Pix” reflete um embate mais amplo sobre o papel do Estado na economia digital. Enquanto setores mais à esquerda defendem a ampliação do controle público sobre infraestruturas críticas, economistas liberais alertam para o risco de burocratização e perda de agilidade. Durigan, que foi secretário de Política Econômica durante o governo Bolsonaro, é visto como uma voz moderada dentro do debate, capaz de dialogar com ambos os lados. Sua declaração de que “a proposta já existe” pode ser interpretada como uma tentativa de esvaziar a narrativa de que o governo estaria paralisado diante do tema.
O impacto prático do “Vira Pix” ainda é incerto. Caso a proposta de Durigan seja adotada, o Brasil pode se tornar referência em regulação de pagamentos instantâneos sem estatização, mantendo o modelo de parceria público-privada que tornou o Pix um sucesso. Por outro lado, se o governo ceder à pressão de Flávio Dino e de outros parlamentares, o sistema pode sofrer alterações profundas, com possíveis efeitos sobre a competitividade do setor financeiro. O debate deve se intensificar nas próximas semanas, com audiências públicas já agendadas no Congresso.
**Fontes**
Declarações públicas de Dario Durigan durante evento sobre inovação financeira em Brasília, em 22 de outubro de 2026. Discurso do senador Flávio Dino (PSB-MA) em audiência pública no Senado Federal, datada de outubro de 2026. Dados do Banco Central sobre o Pix, disponíveis no site oficial da instituição. Notícias veiculadas por veículos como Valor Econômico e Folha de S.Paulo sobre o tema.
Por Renan Filho · 2026-10-22