**Lead**
Uma nova pesquisa do instituto Gerp, divulgada nesta quarta-feira (16), mostra que a violência é o maior problema do Brasil na percepção de 43% dos eleitores. O levantamento, realizado entre os dias 10 e 14 de outubro, ouviu 2.000 pessoas em todas as regiões do país e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Os dados colocam a segurança pública como o tema central da reta final da campanha presidencial, superando questões como saúde (citada por 22%), educação (12%) e economia (10%).
**Contexto**
O resultado da pesquisa reflete uma realidade que persiste há décadas no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou mais de 47 mil homicídios em 2025, uma taxa de aproximadamente 23 mortes por 100 mil habitantes. Embora tenha havido queda em relação a anos anteriores — o pico foi em 2017, com 63 mil homicídios —, o número ainda coloca o Brasil entre as nações mais violentas do mundo, atrás apenas de países como El Salvador e Venezuela.
A violência não se limita aos grandes centros urbanos. O interior do país, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, tem visto um aumento de conflitos ligados ao crime organizado, com disputas por rotas de tráfico de drogas e armas. Em estados como o Pará e a Bahia, a taxa de homicídios supera 40 por 100 mil habitantes, muito acima da média nacional. Além disso, a violência policial e o encarceramento em massa continuam a ser temas sensíveis, com mais de 800 mil pessoas presas no país — a terceira maior população carcerária do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China.
O levantamento do Gerp também revela diferenças regionais significativas. No Sudeste, 38% dos entrevistados apontaram a violência como principal problema; no Nordeste, o percentual sobe para 51%. Esse dado é consistente com estudos anteriores do Atlas da Violência, que mostram que as regiões mais pobres são as mais afetadas pela criminalidade. A pesquisa ainda indica que a preocupação com a violência é maior entre eleitores de baixa renda e com menor nível de escolaridade, grupos que historicamente sofrem mais com a falta de segurança pública.
**Análise**
A centralidade da violência na pauta eleitoral impõe desafios diretos aos candidatos à Presidência. Tanto o atual governo quanto as principais forças de oposição têm apresentado propostas para a área — que vão desde o endurecimento penal até políticas de prevenção social. No entanto, a pesquisa sugere que o eleitorado não está satisfeito com as respostas dadas até agora. O dado de 43% supera amplamente a soma das demais preocupações, indicando que a segurança pública será o fator decisivo para uma parcela expressiva do eleitorado indeciso.
Especialistas apontam que a violência no Brasil tem causas estruturais, como a desigualdade social, a fragilidade das instituições policiais e a falta de integração entre os entes federativos. O problema é agravado pela atuação de facções criminosas que controlam territórios e influenciam comunidades inteiras. Sem uma política de Estado de longo prazo, medidas pontuais tendem a ter efeito limitado. O próximo governo terá que enfrentar não apenas a criminalidade visível, mas também a corrupção sistêmica que enfraquece o sistema de justiça.
Além disso, a percepção de insegurança tem impacto econômico. Empresários relutam em investir em áreas violentas, e o custo da violência para o país é estimado em cerca de 5% do PIB, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Isso inclui gastos com segurança privada, perda de produtividade e despesas com saúde pública decorrentes de agressões e acidentes. Dessa forma, o tema vai além da segurança pública e se conecta com desenvolvimento econômico e bem-estar social.
**Fontes**
- Pesquisa Gerp divulgada em 16 de outubro de 2026 (dados citados no texto). - Fórum Brasileiro de Segurança Pública – Anuário 2025. - Atlas da Violência 2025 – Ipea e FBSP. - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – Custos da Violência.
Por Renan Filho · 2026-10-16