**Lead**
O vice-governador do estado de São Paulo, Felicio Ramuth, afirmou nesta quarta-feira (26) que a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022 é “incontestável” e representa um marco para a democracia brasileira. A declaração foi feita durante um seminário sobre desenvolvimento regional realizado na capital paulista, onde o político destacou a importância da alternância de poder e do respeito ao resultado das urnas.
**Contexto**
A fala do vice-governador ocorre em um momento de intenso debate político no país, com setores da oposição ainda questionando a lisura do processo eleitoral. Felicio Ramuth, que integra o Partido Social Democrático (PSD) e é aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), surpreendeu parte da plateia ao defender a legitimidade da eleição de Lula sem ressalvas. “Não há espaço para dúvidas. O povo brasileiro falou nas urnas, e a vitória de Lula é incontestável. Isso é democracia”, afirmou.
A declaração ganha relevância por vir de um integrante do alto escalão do governo paulista, estado que foi palco de forte polarização durante o pleito. Tarcísio de Freitas, ex-ministro de Jair Bolsonaro, venceu a disputa ao governo de São Paulo no segundo turno, enquanto Lula venceu no estado por margem estreita. A posição de Ramuth, portanto, sinaliza uma tentativa de aproximação entre o Executivo estadual e o governo federal, em um momento em que o diálogo institucional é visto como essencial para a retomada de investimentos e programas conjuntos.
O vice-governador também lembrou que a transição de governo ocorreu de forma pacífica e dentro dos ritos constitucionais, e que qualquer questionamento sobre a legitimidade do pleito já foi rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “As instituições funcionaram. As urnas são seguras. O Brasil precisa olhar para frente e trabalhar unido”, completou.
**Análise**
A declaração de Felicio Ramuth não é apenas uma manifestação de apoio ao processo eleitoral, mas também um movimento político calculado. Em um cenário de forte polarização, a sinalização de que o governo paulista reconhece a vitória de Lula sem contestações pode abrir caminho para uma cooperação mais estreita entre o estado e a União. São Paulo, maior economia do país, depende de parcerias federais em áreas como infraestrutura, saúde e educação. A postura conciliatória do vice-governador pode facilitar a liberação de recursos e a implementação de projetos conjuntos.
Além disso, a fala de Ramuth reforça a posição de setores do centro político que buscam isolar discursos golpistas e fortalecer a democracia. Ao afirmar que a vitória de Lula é “incontestável”, o vice-governador se distancia de alas mais radicais da oposição e se alinha a uma visão pragmática de que o país precisa superar o clima de confronto permanente. Para analistas políticos, a declaração também pode ser interpretada como uma tentativa de pavimentar uma eventual candidatura própria no futuro, já que Ramuth é visto como um nome em ascensão no PSD paulista.
Por outro lado, a declaração pode gerar desconforto entre eleitores mais alinhados ao bolsonarismo, que ainda veem com desconfiança o governo Lula. O governador Tarcísio de Freitas, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre a fala de seu vice, mas fontes próximas ao Palácio dos Bandeirantes indicam que a posição de Ramuth não foi coordenada com o chefe do Executivo estadual. Ainda assim, a declaração é vista como um gesto de independência política que pode fortalecer a imagem de Ramuth como um líder capaz de dialogar com diferentes espectros ideológicos.
**Fontes**
A informação foi obtida a partir de declaração pública do vice-governador Felicio Ramuth durante o seminário “Desenvolvimento Regional e Democracia”, realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em São Paulo, no dia 26 de outubro de 2026. A fala foi registrada por jornalistas presentes e repercutida por veículos como a Agência Brasil e o portal G1. Não há dados numéricos ou pesquisas citadas no conteúdo da declaração.
Por Renan Filho · 2026-10-27