**Lead**
O ex-ponta Valdomiro Vaz Franco, um dos maiores ídolos da história do Internacional e titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1974, concedeu uma entrevista ao jornalista Wanderley Nogueira na qual relembrou os detalhes da campanha do Brasil naquele torneio. A conversa, realizada em Porto Alegre, trouxe à tona as memórias de um Mundial marcado pela transição do futebol brasileiro após a era Pelé e pelo domínio da Holanda de Johan Cruyff. Valdomiro, que vestiu a camisa 7 do Brasil na competição, destacou a força do grupo e as dificuldades enfrentadas diante de seleções que revolucionavam o esporte com o Carrossel Holandês.
**Contexto**
A Copa de 1974 foi a primeira disputada sem Pelé desde 1958, e o Brasil chegou à Alemanha Ocidental como bicampeão mundial (1958, 1962 e 1970), mas com uma equipe em reconstrução sob o comando de Zagallo. A seleção contava com nomes como Jairzinho, Rivelino, Paulo César Caju e, claro, Valdomiro, que na época já era destaque no Internacional, clube pelo qual construiu uma carreira vitoriosa. Na primeira fase, o Brasil passou em segundo lugar no Grupo 2, atrás da Iugoslávia, com uma vitória sobre o Zaire, um empate com a Escócia e outro com os iugoslavos. Na segunda fase, o time caiu no chamado “grupo da morte” ao lado de Alemanha Oriental, Holanda e Polônia. O Brasil empatou sem gols com os alemães orientais, perdeu por 2 a 0 para a Holanda — em uma partida que entrou para a história pela atuação magistral de Cruyff — e foi derrotado por 1 a 0 pela Polônia, encerrando a participação na quarta colocação geral.
Valdomiro foi titular em todas as partidas da campanha, atuando como ponta-direita e sendo peça importante no esquema tático de Zagallo. Em sua entrevista a Wanderley Nogueira, o ex-jogador recordou a atmosfera do torneio, a pressão por manter o legado das conquistas anteriores e o respeito que a equipe tinha pelos adversários. Ele também mencionou a experiência de enfrentar a Holanda, que naquele ano encantou o mundo com seu futebol total, e destacou a disciplina tática dos poloneses, que viriam a terminar em terceiro lugar. A entrevista, ainda não publicada na íntegra, foi gravada em um encontro reservado e deve ser divulgada em breve em formato de podcast e texto.
**Análise**
A Copa de 1974 representa um marco na história do futebol brasileiro por simbolizar o fim de um ciclo e o início de outro. Sem Pelé, a seleção precisou encontrar novas referências, e Valdomiro foi um dos jogadores que assumiu a responsabilidade em campo. Sua trajetória no Internacional — clube pelo qual foi campeão brasileiro em 1975, 1976 e 1979 — o consagrou como um dos maiores pontas do futebol nacional, e sua participação no Mundial reforçou seu status de ídolo. A entrevista a Wanderley Nogueira ganha relevância por resgatar uma memória que muitas vezes fica ofuscada pelas glórias de 1970 e 1994, mas que é fundamental para entender a evolução tática do Brasil.
O depoimento de Valdomiro também ilumina aspectos pouco explorados daquela campanha, como a relação do elenco com a imprensa da época, as condições de preparação e o impacto das derrotas para Holanda e Polônia no imaginário popular. Para os torcedores do Internacional, a fala do ex-camisa 7 é um convite a revisitar um período em que o clube fornecia jogadores à seleção e disputava de igual para igual com os gigantes europeus. Além disso, a escolha de Wanderley Nogueira — jornalista conhecido por seu trabalho de memória oral no futebol gaúcho — como interlocutor garante um tratamento cuidadoso e aprofundado do tema.
**Fontes**
A notícia baseia-se em informações da entrevista concedida por Valdomiro Vaz Franco ao jornalista Wanderley Nogueira, além de dados históricos oficiais da FIFA sobre a Copa do Mundo de 1974 e registros da carreira do jogador no Sport Club Internacional.
Por Renan Filho · 2026-10-13