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Politica

Valdemar Costa Neto admite que houve discussão sobre tentativa de golpe no fim do governo Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-07

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu em depoimento que líderes políticos e militares debateram um plano para impedir a posse de Lula em 2022. A revelação reforça as investigações da Polícia Federal sobre uma trama golpista.

**Lead**

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, voltou a admitir publicamente que houve discussões, nos meses finais do governo Jair Bolsonaro, sobre uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita em depoimento prestado à Polícia Federal no âmbito do inquérito que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos. Segundo registros obtidos por veículos de imprensa, Valdemar afirmou que o tema foi tratado em reuniões com integrantes do alto escalão do governo e das Forças Armadas, mas negou ter participado da elaboração de qualquer plano concreto.

**Contexto**

As investigações da Polícia Federal, em curso desde o início de 2023, já haviam revelado a existência de um núcleo radical que defendia a ruptura institucional após a derrota de Bolsonaro nas urnas. Documentos apreendidos e mensagens trocadas por aplicativos indicam que a cúpula do PL, partido ao qual Bolsonaro se filiou em 2021, teria sido informada sobre movimentações golpistas. Valdemar Costa Neto, que sempre negou envolvimento direto, agora admite que o assunto foi debatido abertamente. Em seu depoimento, ele afirmou que as conversas ocorreram em um contexto de “tensão pós-eleitoral” e que ele próprio teria alertado sobre a ilegalidade de qualquer ação fora da Constituição.

A declaração de Valdemar ocorre em meio a novas fases da Operação Tempus Veritatis, que já prendeu militares e ex-assessores do governo Bolsonaro sob suspeita de planejarem um golpe. Entre os alvos estão o ex-ministro da Defesa e o ex-comandante do Exército, que teriam participado de reuniões no Palácio do Planalto para discutir a possibilidade de uma intervenção militar. A Polícia Federal também investiga a atuação de milícias digitais que disseminaram teorias conspiratórias sobre fraudes nas urnas, alimentando o ambiente de radicalização.

**Análise**

A admissão de Valdemar Costa Neto representa um ponto de inflexão no cenário político brasileiro. Até então, as principais lideranças do bolsonarismo mantinham um discurso de negação ou minimização dos fatos. Ao reconhecer que houve discussões sobre um golpe, o presidente do PL abre espaço para que outros envolvidos também prestem esclarecimentos, aumentando a pressão sobre a cúpula militar e sobre o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda não se manifestou oficialmente sobre o depoimento. A declaração pode acelerar o andamento dos inquéritos no Supremo Tribunal Federal, que já sinalizou a possibilidade de novas convocações e quebras de sigilo.

Do ponto de vista político, o episódio fragiliza ainda mais a imagem do PL como um partido comprometido com a democracia. Valdemar, que comanda a maior bancada da Câmara dos Deputados, tenta agora se distanciar das acusações, mas a admissão pública de que o tema foi debatido internamente pode gerar desgaste entre aliados moderados. Para o governo Lula, a notícia reforça o discurso de que a democracia brasileira esteve sob ameaça real e que as investigações precisam ser aprofundadas. A oposição, por sua vez, tende a questionar a credibilidade do depoimento, apontando possíveis contradições com declarações anteriores de Valdemar.

**Fontes**

As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir de registros oficiais do depoimento de Valdemar Costa Neto à Polícia Federal, divulgados por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, além de documentos do inquérito da Operação Tempus Veritatis, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. As declarações foram confirmadas por fontes próximas à investigação que acompanharam o interrogatório. Não foram utilizadas entrevistas exclusivas ou dados não verificáveis.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.