Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral informou que as urnas eletrônicas utilizadas no pleito de 2026 contarão com um novo recurso visual: uma barra de progresso que indicará ao eleitor em qual etapa da votação ele se encontra – desde a digitação do número do candidato até a confirmação final. Segundo a assessoria do TSE, a novidade tem o objetivo de "reduzir a ansiedade do eleitor e evitar erros de digitação ou confirmação prematura".
A decisão foi tomada após uma série de testes realizados pelo Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do TSE. Em entrevista coletiva, o presidente da Corte afirmou que a barra de progresso será exibida em um pequeno indicador na tela da urna, sem interferir no tempo de votação, e que o custo de implementação será absorvido pelo orçamento já previsto para manutenção e atualização do software eleitoral.
Contudo, a medida levanta questionamentos importantes sobre a relação custo-benefício de inovações no sistema eleitoral brasileiro. O Brasil já investe cerca de R$ 500 milhões por eleição na logística e manutenção das urnas eletrônicas – valor que, em uma perspectiva de livre mercado, poderia ser reduzido com a adoção de alternativas mais transparentes e auditáveis, como o voto impresso ou a contagem paralela por código aberto.
A barra de progresso, embora pareça inofensiva, exige alterações profundas no software embarcado das mais de 500 mil urnas do país. Cada modificação demanda testes exaustivos de segurança, certificação digital e treinamento de mesários. Especialistas em tecnologia eleitoral ouvidos pelo FORTIS NEWS – que pediram anonimato por receio de represálias institucionais – apontam que o recurso pode introduzir novas vulnerabilidades.
"Qualquer alteração no código-fonte de um sistema fechado, como o das urnas brasileiras, aumenta a superfície de ataque. Uma barra de progresso parece trivial, mas exige sincronização entre o temporizador interno, o módulo de votação e o display. Se houver um desvio de milissegundos, pode gerar engasgos no sistema ou, pior, falhas na gravação do voto", afirmou um dos especialistas, sob condição de anonimato, em conversa com a reportagem.
O TSE, por sua vez, garante que o software será submetido a testes públicos de segurança (TPS) antes das eleições, e que o código-fonte estará disponível para auditoria por partidos políticos e entidades fiscalizadoras. No entanto, a experiência dos últimos pleitos mostra que o acesso ao código é limitado e que as simulações muitas vezes não reproduzem as condições reais de uso em milhões de urnas simultaneamente.
**Por que isso importa**
A discussão sobre a barra de progresso não é meramente técnica. Ela reflete um padrão histórico do Estado brasileiro: gastar mal e entregar pouco. Enquanto países como os Estados Unidos e a Alemanha investem em sistemas auditáveis com comprovante físico e contagem independente, o Brasil insiste em uma caixa-preta digital que, mesmo após 30 anos, ainda gera desconfiança em parcela significativa da população.
Pesquisa Datafolha de abril de 2026 – encomendada por veículos de imprensa e divulgada em maio – indicou que 43% dos eleitores não confiam plenamente na segurança da urna eletrônica. Esse número cresceu 7 pontos percentuais em relação a 2022, o que sugere que a falta de transparência está corroendo a credibilidade do processo.
**Análise FORTIS**
A implementação de uma barra de progresso é, na melhor das hipóteses, um incremento cosmético. Na pior, um desperdício de recursos que poderiam ser direcionados para o que realmente importa: a auditabilidade. Sob a ótica liberal-conservadora, a prioridade do Estado deveria ser garantir que cada voto seja contado de forma verificável, não enfeitar uma interface que já cumpre sua função primária.
O livre mercado oferece soluções testadas: urnas com impressão de voto (para conferência do eleitor) e contagem paralela em software aberto. A Suíça, por exemplo, adota voto eletrônico com código-fonte público e verificação criptográfica individual. O Brasil, ao contrário, insiste em manter o monopólio do TSE sobre a tecnologia, ignorando propostas legislativas que tramitam há anos – como a PEC do Voto Impresso, que foi derrotada no Congresso em 2021.
**Contraponto**
Defensores da barra de progresso argumentam que ela pode reduzir o número de votos nulos ou em branco por erro de operação, especialmente entre eleitores mais velhos ou com pouca familiaridade com tecnologia. Dados oficiais do TSE mostram que, em 2022, cerca de 3,1% dos votos foram anulados por erro na digitação do número do candidato – um índice considerado baixo para padrões internacionais. Se a barra conseguir reduzir esse percentual para 2%, o ganho seria de aproximadamente 1,5 milhão de votos válidos. Parece expressivo, mas o custo para atingir essa margem pode superar os benefícios.
Além disso, a medida não resolve a questão central: a falta de um mecanismo independente de auditoria. Enquanto o eleitor não puder verificar fisicamente que seu voto foi registrado corretamente, o sistema continuará vulnerável a questionamentos – legítimos ou não.
**1. A barra de progresso vai aumentar a confiança do eleitor no sistema?** Não necessariamente. A confiança em urnas eletrônicas depende muito mais da transparência do processo (auditoria externa, voto impresso, código aberto) do que de elementos visuais na interface. Uma barra de progresso pode até gerar uma falsa sensação de controle, mas não elimina a opacidade do sistema. O TSE precisa investir em verificabilidade, não em cosmética.
**2. Quanto custará implementar a barra de progresso em todas as urnas?** O TSE não divulgou valores específicos, mas fontes internas indicam que o custo incluirá horas de desenvolvimento, testes de segurança certificados, manutenção de servidores para atualização remota e treinamento de mesários. Estimativas extraoficiais sugerem algo entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões – dinheiro que, em um país com déficit primário recorrente, poderia ser melhor aplicado em educação eleitoral ou em infraestrutura de auditoria. O FORTIS NEWS aguarda que o TSE publique os gastos detalhados no Portal da Transparência, como exige a Lei de Acesso à Informação.
Por Renan Filho · 2026-09-25