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Seguranca

Um ano após megaoperação com 122 mortos, 33 alvos seguem foragidos no RJ

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-28

Operação que completou um ano deixou um rastro de 122 mortos e um inquérito que ainda busca 33 foragidos; polícia afirma que investigações continuam, mas cobranças por transparência aumentam.

**Lead**

Um ano após a megaoperação policial que resultou na morte de 122 pessoas no Rio de Janeiro, ao menos 33 alvos apontados pela investigação seguem foragidos, segundo levantamento feito com base em informações divulgadas pelas autoridades ao longo dos últimos meses. A ação, deflagrada no fim de outubro de 2025, foi uma das maiores da história do estado em número de óbitos em uma única operação e segue cercada de controvérsia, tanto pelo saldo letal quanto pela efetividade no cumprimento dos mandados.

**Contexto**

A operação foi deflagrada em comunidades da zona norte e da zona oeste do Rio, com o objetivo declarado de desarticular uma organização criminosa responsável por uma série de roubos a cargas e bancos. O número de mortos, porém, ultrapassou todas as operações anteriores e gerou uma onda de questionamentos sobre os critérios de atuação das forças de segurança. Em um cenário de guerra declarada ao crime organizado, a ação foi apresentada pelo governo estadual como uma resposta dura ao avanço de facções, mas o alto índice de letalidade chamou a atenção de organismos de direitos humanos e do Ministério Público.

Passados doze meses, o balanço oficial indica que, dos 155 alvos que tiveram mandados expedidos pela Justiça, 122 foram mortos, 33 permanecem foragidos e um número ainda não consolidado de pessoas foi preso. A informação foi obtida a partir de atualizações processuais e comunicados oficiais da Polícia Civil e da Secretaria de Estado de Polícia Militar, que afirmam manter equipes dedicadas à captura dos foragidos. A Defensoria Pública, no entanto, questiona a metodologia do balanço, uma vez que parte dos mortos teria sido incluída como “alvo” apenas depois de ter sido abatida, o que tornaria os números menos transparentes.

Entre os foragidos, a polícia não divulgou nomes nem detalhes individuais, mas confirmou que há lideranças comunitárias apontadas como integrantes do esquema e suspeitos de atuar no transporte de armamentos. O fato de muitos deles terem conseguido escapar mesmo após semanas de monitoramento reforça as dúvidas sobre o planejamento da operação, que mobilizou mais de mil agentes entre policiais civis, militares e rodoviários federais. Segundo relatos de investigadores ouvidos pela imprensa na época, parte das informações de inteligência estava defasada, o que teria permitido a fuga de alvos antes da chegada dos agentes.

**Análise**

O aniversário da operação expõe um dilema central da segurança pública no Rio: a efetividade de ações de alta intensidade é medida pelo número de prisões e desmantelamento de organizações, não pelo número de mortos. A permanência de 33 foragidos indica que, ao menos em parte, os objetivos iniciais não foram plenamente alcançados. Ainda assim, o governo estadual trata a operação como um sucesso, argumentando que a organização criminosa foi fortemente atingida e que a queda na atividade de roubos em determinadas regiões pode ser atribuída à ação. Especialistas em segurança alertam, porém, que o efeito dissuasório tende a ser temporário e que a ausência de uma política de inteligência contínua permite a recomposição rápida das facções.

O número de 122 mortos também levanta um debate urgente sobre o modelo de atuação policial. Em um estado que já lidera os rankings de letalidade policial no país, operações com saldos tão elevados reforçam o padrão histórico de confronto e causam um impacto profundo nas comunidades atingidas. Não há, até o momento, um levantamento independente sobre quantos dos mortos eram de fato alvos das ordens judiciais e quantos seriam moradores que estavam em áreas de conflito. O Ministério Público estadual abriu procedimentos para investigar eventuais excessos, mas nenhum agente foi afastado ou indiciado até o fechamento desta matéria.

Outro ponto que preocupa analistas é a possibilidade de que parte dos 33 foragidos tenha se deslocado para outros estados, principalmente na região Sudeste e no Nordeste, onde há histórico de migração de criminosos para fugir da repressão no Rio. A polícia afirma que já solicitou a inclusão de todos os nomes na lista de difusão da Interpol e em bancos de dados de mandados de prisão, mas não informa quantos mandados seguem ativos. A falta de dados consolidados dificulta o acompanhamento público da efetividade da operação e alimenta um clima de desconfiança sobre a real situação.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em notas oficiais divulgadas pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, pela Secretaria de Estado de Polícia Militar e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, além de reportagens publicadas por veículos como o G1, o jornal O Globo e a Agência Brasil no período de outubro de 2025 a outubro de 2026. Não foram utilizadas informações de fontes não verificadas ou relatos isolados de moradores sem confirmação oficial.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.