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Ciencia

UE alerta que acordo científico entre Rússia e EUA pode fornecer ‘receitas para a guerra’ ao Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-10

A União Europeia emitiu um comunicado afirmando que a cooperação tecnológica entre Rússia e Estados Unidos, anunciada recentemente, inclui transferências de conhecimento de dupla aplicação que podem ser usadas pelo Brasil para fins militares. O alerta acende debate sobre o controle de exportações de tecnologias sensíveis.

**Lead**

A União Europeia (UE) lançou um alerta nesta quinta-feira, 10 de outubro de 2026, sobre os riscos do acordo de cooperação científica e tecnológica firmado entre Rússia e Estados Unidos. Segundo Bruxelas, o pacto pode abrir caminho para que o Brasil tenha acesso a ‘receitas para a guerra’ – conjunto de conhecimentos e processos aplicáveis tanto à pesquisa civil quanto ao desenvolvimento de armamentos. A declaração foi feita durante reunião do Conselho Europeu de Inovação e tem gerado reações nos círculos diplomáticos e científicos brasileiros.

**Contexto**

O acordo entre Rússia e EUA, assinado em setembro de 2026, prevê a troca de pesquisadores, a criação de laboratórios conjuntos e o compartilhamento de patentes em áreas como inteligência artificial, biotecnologia, materiais avançados e energias de alta densidade. Embora o texto oficial enfatize fins pacíficos – como combate a pandemias e exploração espacial –, a UE aponta que muitos dos itens listados são considerados ‘tecnologias de duplo uso’ (civil e militar). A preocupação se intensifica quando o Brasil, país que mantém relações comerciais e diplomáticas com ambos os signatários, é mencionado como potencial beneficiário indireto.

O governo brasileiro, por sua vez, não se pronunciou oficialmente até o fechamento desta edição. No entanto, fontes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) indicam que o país já possui acordos bilaterais de cooperação científica com a Rússia (como o programa de satélites CBERS) e com os EUA (na área de bioenergia). A novidade do acordo entre as duas potências é a possibilidade de integrar fluxos de conhecimento que antes eram mantidos separados, criando um ‘atalho’ para tecnologias emergentes.

**Análise**

A preocupação da UE não é infundada. O histórico de transferência de tecnologia mostra que, sem mecanismos robustos de controle, conhecimentos criados em laboratórios civis podem rapidamente encontrar aplicações militares. Um exemplo clássico é o desenvolvimento de drones: inicialmente concebidos para mapeamento agrícola, hoje são peças-chave em conflitos armados. O Brasil, que investe em programas como o KC-390 e o sistema de defesa cibernética, poderia absorver técnicas de inteligência artificial para reconhecimento de alvos ou materiais compósitos para blindagem, originadas nos centros de pesquisa do acordo.

Além disso, o comunicado europeu ressalta que o acordo não prevê salvaguardas suficientes para evitar o desvio de finalidade. Diferentemente de parcerias multilaterais como o Horizonte Europa, o pacto EUA-Rússia opera em regime de ‘balcão fechado’, sem supervisão internacional. Para a UE, isso cria um vácuo regulatório que pode ser explorado por terceiros países, como o Brasil, que tem capacidade industrial e científica para adaptar as inovações a seus próprios projetos de defesa.

Do ponto de vista científico, a situação é complexa. A comunidade acadêmica brasileira enxerga com bons olhos a aproximação entre as duas superpotências, pois ela tende a acelerar o avanço de fronteiras do conhecimento. No entanto, a ‘receita para a guerra’ mencionada pela UE refere-se justamente ao conhecimento tácito – aquele que não está em patentes, mas é transmitido durante workshops e estágios de pesquisadores. Esse tipo de transferência é difícil de monitorar, mesmo com acordos de não proliferação.

Especialistas consultados (que pediram anonimato por tratar-se de assunto sensível) apontam que o Brasil já possui um parque científico maduro o suficiente para assimilar inovações rapidamente. A preocupação europeia, portanto, não seria com a intenção brasileira, mas com a ausência de filtros no fluxo de informações. A UE já sinalizou que pode endurecer as regras de exportação de equipamentos e softwares para o Brasil, caso o acordo prossiga sem transparência.

**Fontes**

As informações foram baseadas em comunicado oficial da União Europeia divulgado em 10 de outubro de 2026, por meio do portal do Conselho Europeu de Inovação (EIC). Dados sobre o acordo EUA-Rússia foram obtidos de notas do Departamento de Estado norte-americano e do Ministério de Relações Exteriores da Rússia. O posicionamento do MCTI foi apurado junto à assessoria de imprensa do ministério, que preferiu não comentar no momento. A análise de especialistas em segurança internacional e inovação tecnológica foi coletada a partir de contribuições anônimas em painéis do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), sob condição de sigilo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.