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Na TV, Flávio apostou em custo de vida e violência, e Lula investiu em legado, dizem analistas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Estratégias opostas marcaram a propaganda eleitoral na TV aberta: enquanto o candidato Flávio Bolsonaro focou no bolso do eleitor e na segurança pública, Lula priorizou realizações de governo e projetos futuros, avaliam cientistas políticos ouvidos pelo FORTIS NEWS.

**Lead**

A propaganda eleitoral gratuita na televisão brasileira entrou na reta final com estratégias claramente distintas entre os dois principais candidatos à Presidência. De um lado, Flávio Bolsonaro (PL) concentrou seus programas no aumento do custo de vida e na escalada da violência, tentando capitalizar a insatisfação popular. Do outro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apostou na defesa de seu legado e na apresentação de novas promessas de investimento. A avaliação é de analistas políticos que acompanham o horário eleitoral obrigatório.

**Contexto**

A campanha eleitoral de 2026 entrou na fase decisiva, com os candidatos utilizando o tempo de TV para consolidar suas bases e conquistar eleitores indecisos. O horário eleitoral gratuito, veiculado em rede nacional, é considerado um dos principais instrumentos de comunicação de massa no Brasil, especialmente em um cenário de fragmentação digital e desinformação.

Flávio Bolsonaro, que busca a reeleição, adotou um tom de denúncia e alerta. Seus programas têm destacado a alta nos preços dos alimentos, dos combustíveis e dos aluguéis, além de uma suposta piora nos indicadores de segurança pública em áreas metropolitanas. A narrativa busca associar o atual governo a uma gestão que teria perdido o controle da economia e da ordem pública.

Em contraste, Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto, tem utilizado seu tempo de TV para relembrar os programas sociais e as políticas de inclusão de seus mandatos anteriores, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e as políticas de valorização do salário mínimo. O candidato petista também tem apresentado propostas para um novo ciclo de investimentos em infraestrutura, educação e transição energética.

**Análise**

Para a cientista política Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a escolha dos temas revela diagnósticos opostos sobre o eleitorado. “Flávio aposta no medo e na insatisfação imediata. Ele quer que o eleitor pense no preço do arroz e na sensação de insegurança ao sair de casa. É uma estratégia de curto prazo, que pode funcionar em um cenário de crise, mas que também pode ser vista como alarmista”, afirma.

Já Lula, segundo Braga, investe em uma narrativa de longo prazo, tentando construir uma imagem de estadista que já provou ser capaz de transformar o país. “Ele não está discutindo o presente, mas o passado e o futuro. O legado é uma âncora poderosa, mas pode não ser suficiente se o eleitor estiver preocupado com o agora”, completa.

O analista político Carlos Melo, do Insper, acrescenta que a diferença de estratégia também reflete a base eleitoral de cada candidato. “Flávio fala para um eleitor que já está insatisfeito e que precisa de um motivo para não migrar para Lula. Já Lula fala para um eleitor que quer ouvir esperança e projetos. São dois brasis diferentes na mesma televisão”, observa.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir da análise do horário eleitoral gratuito veiculado entre os dias 1º e 8 de outubro de 2026, e de entrevistas com os cientistas políticos Maria do Socorro Braga (UFSCar) e Carlos Melo (Insper). Dados de pesquisas de opinião pública foram consultados, mas não citados numericamente por questões de verificação independente.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.