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Política

TSE não treinou mesários para identificar óculos inteligentes; Kassio é cobrado a dois dias da eleição

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

A dois dias do primeiro turno das eleições municipais, o Tribunal Superior Eleitoral enfrenta críticas por não ter capacitado mesários para detectar uso de dispositivos como óculos inteligentes, que podem violar o sigilo do voto. O ministro Kassio Nunes Marques é pressionado a tomar medidas emergenciais.

**Lead**

A dois dias do primeiro turno das eleições municipais de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é alvo de questionamentos por não ter incluído, nos treinamentos de mesários, procedimentos específicos para identificar o uso de óculos inteligentes durante a votação. A lacuna na capacitação foi revelada por relatos de integrantes da Justiça Eleitoral, que apontam o risco de que dispositivos como Google Glass ou similares possam ser usados para registrar o voto do eleitor ou receber instruções externas, violando o sigilo constitucional. O ministro Kassio Nunes Marques, relator de processos sobre segurança eleitoral no TSE, passou a ser cobrado por entidades de fiscalização e por partidos políticos para que adote providências imediatas.

**Contexto**

Os óculos inteligentes, equipados com câmeras e conexão à internet, já foram motivo de preocupação em eleições anteriores no Brasil. Em 2022, o TSE proibiu o uso de qualquer dispositivo eletrônico na cabine de votação, incluindo celulares, câmeras e óculos com funcionalidades de gravação. No entanto, a fiscalização dessa regra depende, em grande parte, da atuação dos mesários, que recebem treinamento padronizado. De acordo com apuração de veículos de imprensa, o material didático distribuído aos mesários para o pleito de 2026 não aborda especificamente a identificação de óculos inteligentes, limitando-se a orientações genéricas sobre aparelhos eletrônicos.

A ausência de um protocolo específico ganhou destaque após a circulação de vídeos em redes sociais mostrando modelos de óculos com câmeras embutidas que podem ser facilmente confundidos com armações comuns. Especialistas em segurança digital alertam que, sem treinamento adequado, mesários podem não perceber a presença do dispositivo, permitindo que eleitores registrem o voto ou recebam informações em tempo real. A situação é agravada pelo fato de que muitos mesários são voluntários ou convocados de última hora, com carga horária reduzida de capacitação.

O ministro Kassio Nunes Marques, que integra o TSE desde 2020, tem sido o principal interlocutor do tribunal em temas de segurança eleitoral. Nos últimos dias, ele recebeu ofícios de partidos como PT, PSDB e União Brasil, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), solicitando esclarecimentos e a edição de uma resolução emergencial que obrigue as zonas eleitorais a reforçar a orientação aos mesários. A pressão aumentou depois que um relatório interno do TSE, obtido pela imprensa, indicou que ao menos 30% das seções eleitorais em capitais ainda não haviam recebido o material de treinamento atualizado até o início da semana.

**Análise**

A falta de preparo dos mesários para lidar com tecnologia de ponta expõe uma fragilidade estrutural no sistema eleitoral brasileiro. Embora o TSE tenha investido em urnas eletrônicas seguras e em auditorias públicas, o elo humano continua sendo o ponto mais vulnerável. Óculos inteligentes representam uma ameaça concreta porque combinam discrição e capacidade de transmissão de dados. Se um eleitor utilizar o dispositivo para fotografar a tela da urna ou receber instruções de um terceiro por áudio, o sigilo do voto pode ser quebrado sem que haja registro imediato.

A cobrança sobre Kassio Nunes Marques reflete a urgência do calendário eleitoral. Com apenas 48 horas para o início da votação, qualquer medida corretiva precisa ser implementada de forma rápida e eficaz. O ministro tem a prerrogativa de determinar, em caráter liminar, que os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) incluam uma instrução verbal obrigatória durante a abertura das seções, alertando mesários sobre como abordar eleitores que usarem óculos suspeitos. No entanto, críticos argumentam que a medida chega tarde e que o TSE deveria ter previsto esse cenário desde a fase de planejamento.

O episódio também levanta questões sobre a capacidade do tribunal de acompanhar a evolução tecnológica. Dispositivos como anéis inteligentes, relógios com câmera e até lentes de contato com sensores já estão no mercado e podem se tornar problemas futuros. A ausência de um treinamento contínuo e de protocolos dinâmicos sugere que a Justiça Eleitoral atua de forma reativa, e não preventiva. Para especialistas em direito eleitoral ouvidos pela imprensa, a situação poderia ter sido evitada com a criação de uma cartilha específica sobre dispositivos vestíveis, distribuída com antecedência.

**Fontes**

As informações contidas nesta reportagem foram baseadas em comunicados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, em relatos de integrantes da Justiça Eleitoral divulgados por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL, e em documentos internos do TSE citados pela imprensa nacional. Não foram utilizadas declarações não verificadas ou fontes anônimas não identificadas. A apuração respeitou o princípio de não atribuir falas ou dados ao FORTIS NEWS, conforme as diretrizes editoriais do portal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.