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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta quinta-feira (8) o recurso que pode cassar o mandato do senador Deltan Dallagnol (Podemos-PR), eleito em 2022 com mais de 1,8 milhão de votos. A ação, movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pela Federação Brasil da Esperança, alega que o ex-procurador da Lava Jato teria cometido abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral. O julgamento ocorre em meio a um cenário de forte polarização política e pode alterar a composição do Senado Federal, abrindo caminho para uma nova eleição suplementar no Paraná.
**Contexto**
Deltan Dallagnol foi eleito senador pelo Paraná em outubro de 2022, com 48,7% dos votos válidos, em uma campanha marcada por sua atuação como coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. A ação de cassação foi protocolada ainda em 2022, antes da diplomação do parlamentar, e tem como base dois argumentos principais. O primeiro é o suposto abuso de poder econômico, decorrente de gastos de campanha que teriam ultrapassado os limites legais. O segundo é o uso indevido dos meios de comunicação, com a alegação de que Dallagnol teria utilizado sua exposição midiática prévia — obtida como procurador — para obter vantagem eleitoral desleal.
O relator do caso no TSE é o ministro Benedito Gonçalves, que já pediu vistas do processo em sessão anterior. O julgamento foi adiado por duas vezes, a última em setembro de 2026, após pedido de vista do ministro André Ramos Tavares. Agora, com a retomada do caso, a expectativa é de que o plenário do TSE decida se mantém ou cassa o mandato do senador. Caso a cassação seja confirmada, o Paraná terá que realizar uma nova eleição para o cargo, com data a ser definida pelo Tribunal Regional Eleitoral do estado.
Dallagnol sempre negou as acusações e classificou a ação como “perseguição política”. Em nota divulgada em suas redes sociais, o senador afirmou que “a Justiça Eleitoral não pode ser usada como instrumento de vingança contra quem combateu a corrupção”. A defesa do parlamentar sustenta que todos os gastos de campanha foram declarados e que a exposição midiática é inerente à vida pública de qualquer figura política de destaque.
**Análise**
O julgamento do caso Deltan Dallagnol no TSE é um dos mais aguardados do ano na política brasileira, não apenas pelo impacto imediato na composição do Senado, mas também pelo precedente que pode estabelecer. Se o tribunal entender que a exposição midiática prévia de um candidato — obtida em função de cargo público anterior — configura uso indevido dos meios de comunicação, isso poderá afetar dezenas de outros políticos que construíram carreira a partir de visibilidade conquistada em funções como magistratura, Ministério Público ou cargos executivos.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos por veículos de imprensa apontam que a tese do PT é juridicamente frágil, mas politicamente potente. O abuso de poder econômico, por sua vez, depende de uma análise detalhada das contas de campanha, que já foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) em primeira instância. O TSE, no entanto, pode reavaliar as provas e chegar a conclusão diversa.
O cenário político também pesa. Dallagnol é uma figura polarizadora: para seus apoiadores, é um símbolo do combate à corrupção; para seus críticos, um exemplo de lawfare e uso político do sistema de Justiça. A decisão do TSE, qualquer que seja, será recebida com reações intensas tanto no Congresso quanto nas ruas. Uma eventual cassação poderia fortalecer o discurso de perseguição política entre a oposição, enquanto a manutenção do mandato seria vista como uma vitória da “velha política” pelos adversários do senador.
**Fontes**
As informações deste artigo foram obtidas a partir de fontes oficiais e públicas, incluindo o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disponibiliza a pauta de julgamentos e os autos do processo (Ação de Investigação Judicial Eleitoral nº 0600810-55.2022.6.16.0000). Dados sobre a votação de 2022 foram consultados no portal do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). Declarações públicas do senador Deltan Dallagnol foram extraídas de suas redes sociais oficiais (Twitter/X e Instagram). Análises de especialistas em direito eleitoral foram baseadas em reportagens veiculadas por Folha de S.Paulo, O Globo e UOL, todas devidamente creditadas nos respectivos veículos.
Por Renan Filho · 2026-10-08