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Política

Ministra do TSE manda tirar do ar site com esquema de criptomoedas em apoio a Flávio Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-10

Decisão da corregedoria eleitoral determina remoção imediata de plataforma que oferecia investimentos em criptomoedas com suposto objetivo de financiar campanha do senador. Site é investigado por captação ilícita de recursos.

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A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, nesta quinta-feira (10), a retirada imediata do ar de um site que promovia um esquema de investimentos em criptomoedas supostamente voltado ao financiamento de campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A plataforma, que operava sob o domínio ‘criptoflavio.com.br’, oferecia a investidores a promessa de retornos financeiros atrelados ao desempenho eleitoral do parlamentar, configurando, segundo a decisão, captação ilícita de recursos e propaganda irregular. O caso foi encaminhado à Polícia Federal para apuração de possíveis crimes eleitorais e financeiros.

**Contexto**

A decisão foi tomada no âmbito de uma representação apresentada por partidos de oposição, que apontaram indícios de que o site funcionava como um mecanismo de arrecadação paralela de doações para a campanha de Flávio Bolsonaro, sem o devido registro na Justiça Eleitoral. De acordo com a representação, a plataforma incentivava cidadãos a adquirirem tokens digitais — chamados de ‘FLV Coins’ — com a promessa de que o valor seria convertido em doações oficiais caso o senador atingisse determinadas metas de votos nas eleições de 2026. A ministra relatora do caso, ao analisar os elementos apresentados, considerou que a iniciativa violava a legislação eleitoral, que proíbe a captação de recursos por meios não autorizados e a utilização de criptomoedas como forma de burlar os limites de doação.

O site, que estava no ar desde o início do ano, utilizava uma estrutura de marketing digital agressiva, com anúncios em redes sociais e grupos de mensagens, prometendo “lucros garantidos” e “participação direta na vitória do senador”. A página também disponibilizava um chat ao vivo com supostos assessores de Flávio Bolsonaro, o que levou a suspeitas de envolvimento direto da equipe de campanha. Até o momento, no entanto, o senador não se manifestou oficialmente sobre o caso. Sua assessoria informou, por meio de nota, que “desconhece qualquer iniciativa desse tipo” e que “repudia qualquer tentativa de usar o nome do parlamentar para fins escusos”.

A ação do TSE ocorre em um contexto de crescente preocupação com o uso de criptomoedas em campanhas eleitorais. Em 2024, o próprio tribunal editou uma resolução que proíbe expressamente a arrecadação de doações por meio de ativos virtuais, salvo quando realizadas por meio de plataformas autorizadas e com identificação clara dos doadores. A medida foi tomada após denúncias de que candidatos estariam utilizando moedas digitais para receber contribuições anônimas, burlando os limites legais e o controle da Justiça Eleitoral.

**Análise**

A decisão da ministra do TSE representa um marco no combate a novas formas de financiamento ilícito de campanhas. O uso de criptomoedas, por sua natureza descentralizada e de difícil rastreamento, tem sido apontado por especialistas como uma brecha perigosa para a lavagem de dinheiro e a ocultação de doações. Ao determinar a retirada do site, o tribunal sinaliza que não tolerará tentativas de contornar a legislação eleitoral por meio de inovações tecnológicas. A medida também serve de alerta para outros candidatos e grupos políticos que possam estar planejando esquemas semelhantes.

O caso ganha relevância adicional por envolver uma figura política de grande expressão nacional, como Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspeita de que sua campanha possa ter se beneficiado de um esquema de criptomoedas levanta questionamentos sobre a transparência do financiamento eleitoral e a capacidade de fiscalização da Justiça Eleitoral. Embora o senador tenha negado envolvimento, a investigação em curso poderá trazer à tona novas evidências sobre a origem dos recursos utilizados em sua campanha.

**Fontes**

A informação foi obtida com base em documentos oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, incluindo a decisão monocrática da ministra relatora, disponível no sistema de acompanhamento processual do TSE. Dados adicionais foram extraídos de reportagens de veículos como Folha de S.Paulo e O Globo, que acompanham o caso desde o início das investigações. A nota da assessoria de Flávio Bolsonaro foi divulgada por meio de sua conta oficial no X (antigo Twitter). A resolução do TSE sobre criptomoedas em campanhas eleitorais pode ser consultada no site do tribunal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.