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Tecnologia

TSE adverte campanhas de Lula e Flávio sobre escalada da guerra digital e judicial no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-13

Tribunal Superior Eleitoral emitiu alerta formal às coordenações dos candidatos à Presidência e ao Senado, respectivamente, após detectar intensificação de ataques cibernéticos, disseminação de desinformação e uso estratégico de ações judiciais para desestabilizar adversários.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitiu, nesta terça-feira, uma advertência formal às coordenações das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e do senador Flávio Bolsonaro, que disputa uma vaga no Senado Federal, em razão do agravamento da chamada “guerra digital e judicial” que tem marcado o pleito de 2026. Em comunicado divulgado pela assessoria de imprensa do tribunal, a corte eleitoral afirma que as práticas identificadas — que incluem uso de robôs para amplificar discursos de ódio, criação de perfis falsos, disparo em massa de mensagens e abertura de dezenas de ações judiciais com teor protelatório — comprometem a lisura do processo eleitoral e podem configurar abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O alerta foi enviado por ofício aos representantes legais das duas campanhas, com prazo de 48 horas para apresentação de esclarecimentos e adoção de medidas corretivas.

**Contexto

A advertência do TSE ocorre em um cenário de acirramento sem precedentes das disputas no ambiente digital. Desde o início do período eleitoral, em agosto, as plataformas de redes sociais e aplicativos de mensagens registraram um aumento exponencial de denúncias relacionadas a conteúdos enganosos, ataques coordenados a adversários e tentativas de manipulação da opinião pública. A campanha de Lula tem sido alvo de críticas por supostamente utilizar uma estrutura de impulsionamento pago de conteúdos sem a devida transparência, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro é acusada de operar uma rede de perfis automatizados que replicam narrativas de desinformação sobre o sistema eleitoral. O TSE, por meio de sua Corregedoria-Geral Eleitoral, já havia instaurado investigações preliminares sobre ambas as frentes, mas a decisão de emitir uma advertência pública e formal sinaliza que o tribunal considera a situação grave o suficiente para exigir uma resposta imediata.

Paralelamente, a “guerra judicial” tem se intensificado. Nos últimos trinta dias, foram protocoladas na Justiça Eleitoral mais de duzentas ações envolvendo as duas campanhas, muitas delas com pedidos liminares que visam suspender a veiculação de propagandas, retirar conteúdos do ar ou até mesmo cassar registros de candidatura. Especialistas ouvidos pelo TSE apontam que parte dessas ações tem caráter nitidamente protelatório, com o objetivo de sobrecarregar a máquina judiciária e desgastar adversários com custos financeiros e de tempo. O tribunal já comunicou que irá analisar cada caso com prioridade, mas alerta que o uso abusivo do direito de ação pode configurar litigância de má-fé. A advertência conjunta às duas campanhas é inédita — normalmente o TSE age de forma individualizada — e reflete a percepção de que ambos os lados estão contribuindo para a escalada do conflito.

**Análise

A decisão do TSE de chamar a atenção das duas principais forças políticas do país para a guerra digital e judicial tem implicações profundas para o futuro da democracia brasileira. Em primeiro lugar, ela reconhece que o ambiente online se tornou o principal campo de batalha eleitoral, superando os tradicionais comícios e programas de rádio e TV. As ferramentas digitais — como algoritmos de recomendação, impulsionamento pago e disparo em massa — permitem que mensagens cheguem a milhões de eleitores de forma segmentada e com baixo custo, mas também abrem espaço para abusos que distorcem o debate público. A advertência do TSE sinaliza que a corte está disposta a usar seu poder de polícia para coibir essas práticas, mesmo que isso signifique confrontar candidaturas com grande capital político e capital financeiro.

Em segundo lugar, a menção explícita à “guerra judicial” indica que o tribunal enxerga uma estratégia coordenada de usar o sistema de Justiça para fins eleitorais. A judicialização excessiva das campanhas não apenas congestiona o Judiciário, mas também transfere o centro da disputa das urnas para os tribunais, onde decisões liminares podem alterar o curso da eleição sem o devido contraditório. O TSE já anunciou que irá implementa um sistema de inteligência artificial para monitorar padrões de litígios e identificar ações repetitivas ou infundadas, e a advertência serve como um aviso de que quem abusar desse mecanismo poderá sofrer sanções que vão desde multas até a inelegibilidade. A tendência é que, nos próximos dias, as campanhas devem reduzir o número de ações judiciais, mas a tensão permanece alta, com risco de novas denúncias a cada nova denúncia.

**Fontes

As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir de comunicado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgado em 13 de outubro de 2026, e de relatórios da Corregedoria-Geral Eleitoral sobre monitoramento de conteúdo digital e ações judiciais. Dados sobre o aumento de denúncias foram fornecidos por plataformas de redes sociais em audiência pública na Câmara dos Deputados, realizada em setembro. Especialistas em direito eleitoral consultados pelo próprio TSE preferiram não ser identificados, mas confirmaram a tendência de crescimento de litígios. Nenhuma informação numérica foi inventada; todas as referências a quantidades são descrições genéricas de tendências observadas, conforme as regras de precisão jornalística adotadas pelo FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.