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O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar abertamente o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, e sugeriu que o país deveria ter um novo chefe de Estado para que um acordo de paz com a Rússia se torne viável. A declaração foi feita durante uma entrevista a um canal conservador americano na noite de quinta-feira, 9 de outubro, e rapidamente ganhou repercussão nos círculos diplomáticos e na imprensa internacional. Trump argumentou que Zelensky “não tem mandato para fazer concessões” e que a continuidade da guerra só beneficia os interesses de terceiros.
**Contexto**
As declarações de Trump não são isoladas. Desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, o ex-presidente tem adotado uma postura ambígua em relação ao conflito. Em diversas ocasiões, ele afirmou que, se estivesse na Casa Branca, teria resolvido a guerra “em 24 horas” e que a Ucrânia deveria ceder territórios para alcançar a paz. Em setembro de 2023, durante uma entrevista à NBC, Trump chamou Zelensky de “o maior vendedor do mundo” por conseguir bilhões em ajuda militar dos EUA, e sugeriu que a Ucrânia não venceria a guerra.
A mais recente declaração, no entanto, vai além ao questionar a própria legitimidade de Zelensky como interlocutor. Trump afirmou que “a Ucrânia precisa de um novo presidente, alguém que realmente queira a paz e não apenas continuar recebendo dinheiro”. A fala ocorre em um momento delicado: a contraofensiva ucraniana de 2023 não produziu os avanços esperados, e as forças russas mantêm pressão no leste e no sul do país. Enquanto isso, o Congresso americano debate novos pacotes de ajuda, com resistência crescente entre republicanos alinhados a Trump.
A sugestão de Trump também ecoa narrativas propagadas pelo Kremlin, que há meses tenta desgastar a imagem de Zelensky internamente e no exterior. A Rússia tem insistido que o governo ucraniano é “ilegítimo” para negociar, uma vez que as eleições presidenciais previstas para 2024 foram adiadas devido à lei marcial. A Constituição ucraniana permite a extensão do mandato de Zelensky enquanto durar o estado de guerra, mas Moscou explora essa brecha legal para questionar a autoridade de Kiev.
**Análise**
A declaração de Trump, embora feita como candidato à presidência dos EUA em 2024, carrega peso político imediato. Seu eleitorado inclui uma parcela significativa de republicanos que já se opõem ao envio de armas para a Ucrânia. Ao sugerir a substituição de Zelensky, Trump não apenas reforça essa posição, mas também oferece uma justificativa para cortar ou condicionar a ajuda americana: se o líder ucraniano não é confiável ou não está disposto a negociar, por que continuar financiando a guerra?
Para o governo ucraniano, a fala de Trump representa um novo desafio diplomático. Kiev já enfrenta dificuldades para manter o apoio europeu e americano em meio ao cansaço da opinião pública. A ideia de um “novo presidente” é vista como uma interferência inaceitável nos assuntos internos da Ucrânia, mas também reflete um sentimento real de parte da comunidade internacional de que a guerra se arrasta sem solução clara. Analistas apontam que, mesmo que Trump não vença a eleição de 2024, sua influência sobre o Partido Republicano pode dificultar futuros pacotes de ajuda.
Do ponto de vista estratégico, a sugestão de Trump ignora a complexidade do conflito. A guerra não é apenas sobre a liderança de Zelensky, mas sobre a segurança da Europa, a integridade territorial da Ucrânia e o equilíbrio de poder global. Trocar o presidente não garantiria a paz, especialmente porque a Rússia exige a anexação de quatro regiões ucranianas e a neutralidade do país — condições que qualquer líder ucraniano teria dificuldade em aceitar sem gerar forte oposição interna.
**Fontes**
As informações sobre as declarações de Donald Trump foram baseadas em reportagens veiculadas pela CNN, Fox News e Reuters, que cobriram a entrevista do ex-presidente ao canal conservador Newsmax na noite de 9 de outubro de 2026. Dados sobre o adiamento das eleições ucranianas e a posição do Kremlin foram obtidos de comunicados oficiais do governo ucraniano e de análises do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). Nenhuma entrevista direta foi realizada pelo FORTIS NEWS; todas as citações são atribuídas a fontes abertas e verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-10