**Lead**
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, de olho nas eleições de meio de mandato de 2026, determinou a revisão da lista de produtos canadenses que podem ser alvo de tarifas comerciais — medida que, segundo analistas, pode ter efeitos colaterais sobre o Brasil. A revisão ocorre em meio à campanha de Trump para reforçar sua base eleitoral em estados industrializados, e o governo brasileiro monitora o desenrolar da pauta, já que parte das exportações brasileiras concorre diretamente com as canadenses no mercado americano.
**Contexto**
Trump, que deixou a Casa Branca em janeiro de 2021, nunca abandonou o discurso protecionista. Durante sua campanha para as primárias republicanas, ele prometeu retomar a agenda “America First” com medidas agressivas contra países que, em sua visão, praticam concorrência desleal. O Canadá, principal parceiro comercial dos EUA, sempre foi um alvo recorrente: na gestão anterior, Trump impôs tarifas sobre aço e alumínio canadenses, o que gerou retaliações de Ottawa. Agora, o ex-presidente avalia expandir a lista para setores como laticínios, madeira e veículos.
O Brasil, por sua vez, tem uma pauta exportadora que se sobrepõe à canadense em produtos como carne bovina, suco de laranja e etanol. Caso as tarifas americanas sobre o Canadá cresçam, o Brasil pode ganhar espaço no mercado dos EUA, já que a oferta canadense se tornaria mais cara. Mas há o risco de que Trump também decida mirar o Brasil diretamente: durante seu governo, ele ameaçou sobretaxar o etanol brasileiro, e setores como o siderúrgico ainda se recuperam das barreiras impostas em 2018.
A revisão da lista ocorre em um momento crítico para as relações comerciais trilaterais. O Canadá, por meio do primeiro-ministro Mark Carney (que sucedeu Justin Trudeau), já enviou sinais de que responderá a qualquer nova tarifa com medidas proporcionais. O Itamaraty, em Brasília, mantém contato com representantes do Departamento de Comércio dos EUA, mas ainda não há comunicado oficial sobre o impacto direto para o Brasil.
**Análise**
A movimentação de Trump não é meramente econômica. As eleições de meio de mandato nos EUA — que definem todo o Congresso e diversos governos estaduais — são vistas como um termômetro para a popularidade do Partido Republicano. Trump, que busca consolidar sua influência, aposta em bandeiras protecionistas para agradar eleitores do Cinturão da Ferrugem, regiões que perderam empregos industriais nas últimas décadas. Ao reavaliar tarifas contra o Canadá, ele sinaliza força para um eleitorado que se sente abandonado por acordos de livre-comércio.
Para o Brasil, o cenário exige cautela. Se, por um lado, a eventual redução da competitividade canadense abre brechas para exportadores brasileiros, por outro, a retórica trumpista frequentemente atinge múltiplos alvos. Especialistas lembram que, em 2019, Trump chegou a ameaçar impor tarifas de 25% sobre carros importados, o que afetaria diretamente o complexo automotivo brasileiro. A volatilidade das políticas de Trump, somada à ausência de acordos bilaterais robustos entre Brasil e EUA, deixa o país em posição vulnerável.
Além disso, a revisão de Trump pode influenciar as negociações do acordo Mercosul-União Europeia, que o governo brasileiro tenta concluir. Uma postura mais agressiva dos EUA no comércio global tende a endurecer as posições europeias, já que Bruxelas também enfrenta pressões protecionistas internas. O Brasil, portanto, precisa equilibrar-se entre aproveitar as brechas comerciais e evitar ser arrastado para uma guerra tarifária que pode prejudicar setores estratégicos.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em declarações públicas de Donald Trump durante eventos de campanha, comunicados do governo canadense sobre política comercial, análises do Peterson Institute for International Economics e reportagens de veículos como Reuters e Associated Press sobre as eleições de meio de mandato nos EUA. Não foram utilizadas fontes anônimas ou exclusivas do FORTIS NEWS.
Por Renan Filho · 2026-10-23