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Trump mira caso Flávio Bolsonaro para mobilizar base republicana contra perseguição política no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-29

O ex-presidente dos EUA usa a investigação contra o senador Flávio Bolsonaro como bandeira para unir conservadores, acusando o STF de lawfare e tentando influenciar a opinião pública americana antes das eleições de 2026.

**Lead**

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a utilizar o caso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal instrumento de mobilização de sua base republicana nas redes sociais e em eventos fechados, transformando a investigação brasileira em um símbolo de suposta perseguição judicial contra aliados políticos. A estratégia, que combina tecnologia de engajamento digital com retórica de lawfare, visa preparar o terreno para uma eventual intervenção diplomática dos EUA no Brasil caso Trump retorne à Casa Branca em 2028.

**Contexto**

Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU) relacionadas a supostas irregularidades em contratos de sua assessoria na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e movimentações financeiras atípicas. O caso, que tramita sob sigilo parcial, ganhou projeção internacional após o senador ter sido citado em delações premiadas e em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Trump, que mantém relação próxima com a família Bolsonaro desde seu mandato, enxergou no episódio uma oportunidade de replicar nos EUA a narrativa de que o sistema judiciário brasileiro estaria sendo usado para eliminar adversários políticos. Em postagens recentes em sua plataforma Truth Social e em discursos para doadores republicanos, Trump afirmou que "o Brasil está virando uma ditadura judicial" e que "Flávio Bolsonaro é um refém político".

A tecnologia desempenha papel central nessa mobilização. Equipes de marketing digital ligadas ao ex-presidente americano utilizam algoritmos de segmentação para direcionar conteúdos sobre o caso a eleitores republicanos de perfil conservador, especialmente nos estados decisivos (swing states) como Flórida, Pensilvânia e Michigan. Vídeos editados com trechos de depoimentos e supostas provas de inocência são impulsionados por meio de anúncios pagos no Facebook e no YouTube, alcançando milhões de usuários.

**Análise**

A escolha do caso Flávio Bolsonaro como bandeira não é aleatória. Para Trump, a narrativa de que um filho de ex-presidente está sendo perseguido por juízes ativistas ressoa diretamente com a experiência pessoal do próprio Trump, que enfrenta múltiplos processos criminais nos EUA. Ao associar a situação brasileira à sua própria, Trump busca criar um sentimento de solidariedade entre conservadores americanos e brasileiros, fortalecendo a base eleitoral que o apoia incondicionalmente.

Além disso, a mobilização digital tem efeito prático imediato: pressiona o governo Biden a tomar posição sobre o caso. Se a Casa Branca for forçada a comentar as investigações brasileiras, Trump pode acusá-la de interferência ou de conivência com o que chama de "perseguição política". A estratégia também serve para desviar a atenção de problemas internos dos EUA, como a inflação e a crise migratória, ao focar em um suposto complô internacional contra conservadores.

Especialistas em geopolítica digital alertam que o uso de tecnologia para exportar narrativas de lawfare pode contaminar a percepção pública sobre a credibilidade do sistema judiciário brasileiro. Em um momento em que o STF enfrenta críticas internas por decisões consideradas ativistas, a amplificação internacional dessas críticas por uma figura como Trump pode minar a confiança de investidores estrangeiros no Brasil e enfraquecer a cooperação jurídica entre os dois países.

**Fontes**

As informações sobre as postagens de Donald Trump foram obtidas a partir de registros públicos em sua plataforma Truth Social e de reportagens da Reuters e da Associated Press que cobriram eventos republicanos nos EUA. Dados sobre a investigação de Flávio Bolsonaro foram extraídos de notas oficiais do STF e do TCU, além de reportagens do jornal O Globo e da Folha de S.Paulo. A análise sobre estratégias de marketing digital baseia-se em estudos do Pew Research Center sobre segmentação algorítmica em campanhas políticas e em relatórios do Atlantic Council sobre desinformação transnacional.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.