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Politica

Trump afirma que Groenlândia tem maior reserva de petróleo do mundo e que será explorada para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-14

Em declaração polêmica, ex-presidente dos EUA sugere parceria estratégica com o Brasil para exploração de recursos na ilha ártica, gerando reações internacionais.

**Lead**

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a chamar a atenção do cenário internacional ao declarar, durante um comício em Michigan na última terça-feira, que a Groenlândia possui a maior reserva de petróleo do mundo e que os recursos da ilha serão explorados em parceria com o Brasil. A afirmação, feita sem apresentar dados concretos, foi interpretada por analistas como uma tentativa de reforçar laços com o governo brasileiro e de reacender o interesse dos EUA pela região ártica, rica em minerais e hidrocarbonetos.

**Contexto**

A Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, tem sido alvo de disputas geopolíticas há décadas. Estudos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que a região possui reservas significativas de petróleo e gás natural, mas a exploração comercial sempre foi considerada inviável devido às condições climáticas extremas e aos altos custos operacionais. Em 2019, Trump já havia manifestado interesse em comprar a ilha, proposta rejeitada pelo governo dinamarquês, que classificou a ideia como "absurda".

A declaração recente, no entanto, adiciona um novo elemento: o Brasil. A aproximação entre Trump e o presidente brasileiro, que tem se intensificado nos últimos meses, sugere uma possível aliança energética. O Brasil, que já é uma potência no setor de petróleo offshore, especialmente com o pré-sal, poderia trazer tecnologia e experiência para viabilizar a exploração no Ártico. Especialistas, porém, questionam a viabilidade logística e ambiental do projeto, além da soberania da Groenlândia, que tem autonomia para decidir sobre seus recursos naturais.

A Dinamarca, por sua vez, reagiu com cautela. O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que "a Groenlândia não está à venda e qualquer decisão sobre seus recursos pertence ao povo groenlandês". A primeira-ministra da Groenlândia, Múte Bourup Egede, também se manifestou, reforçando que a ilha busca independência econômica, mas não aceitará imposições externas.

**Análise**

A declaração de Trump, embora retórica, reflete uma tendência global de disputa por recursos estratégicos no Ártico. Com o derretimento das calotas polares, a região tornou-se acessível para exploração de petróleo, gás e minerais raros, despertando o interesse de potências como Rússia, China e Estados Unidos. A menção ao Brasil, no entanto, é inédita e pode indicar uma estratégia para diversificar parcerias e reduzir a dependência de aliados tradicionais.

Para o Brasil, a possível parceria representaria uma oportunidade de expandir sua influência geopolítica e tecnológica, mas também traria riscos. A exploração em águas árticas exige investimentos bilionários e enfrenta forte oposição de organizações ambientais, que alertam para os impactos no ecossistema local. Além disso, a soberania da Groenlândia é um ponto sensível: qualquer acordo precisaria ser negociado diretamente com o governo local, que tem demonstrado resistência a interferências externas.

Outro aspecto relevante é o contexto político. Trump, que busca retornar à Casa Branca, pode estar usando a declaração para atrair eleitores ligados ao setor de energia e para fortalecer sua imagem de líder global. Já o Brasil, sob a gestão atual, tem buscado se posicionar como mediador em questões climáticas, o que torna a aliança com Trump contraditória, dado o histórico do ex-presidente de negar as mudanças climáticas.

**Fontes**

As informações foram baseadas em declarações públicas de Donald Trump, transmitidas ao vivo por redes de televisão americanas, e em respostas oficiais do governo dinamarquês e da Groenlândia, divulgadas pela imprensa internacional. Dados sobre as reservas de petróleo na Groenlândia foram obtidos a partir de relatórios do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e de publicações especializadas em energia, como a Reuters e a Bloomberg. Nenhuma informação adicional foi fornecida pelo governo brasileiro até o fechamento desta matéria.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.