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O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump voltou a chamar a atenção do cenário geopolítico ao afirmar, durante um evento político em Nevada na noite de terça-feira (13), que a Groenlândia possui a maior reserva de petróleo do mundo e que esse recurso deveria ser explorado em parceria com o Brasil. A declaração, feita sem apresentação de dados concretos, reacendeu o debate sobre os interesses estratégicos no Ártico e as relações bilaterais entre Washington e Brasília.
**Contexto**
Trump já havia manifestado interesse pela Groenlândia em 2019, quando propôs a compra do território autônomo da Dinamarca — ideia prontamente rejeitada por Copenhague. Na ocasião, ele justificou a oferta com argumentos de segurança nacional e acesso a recursos naturais. Agora, o republicano retoma o tema com um novo viés: a exploração conjunta com o Brasil.
A Groenlândia, maior ilha do mundo, possui um subsolo rico em minerais, petróleo e gás natural, segundo estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). No entanto, a afirmação de que se trata da "maior reserva do mundo" não encontra respaldo em estudos científicos públicos. O USGS estima que a região ártica como um todo abriga cerca de 13% do petróleo não descoberto do mundo e 30% do gás natural, mas não há consenso sobre a Groenlândia isoladamente.
A exploração de petróleo na ilha enfrenta enormes desafios ambientais, logísticos e políticos. O governo groenlandês, que busca independência econômica da Dinamarca, tem adotado uma postura cautelosa, priorizando a sustentabilidade e os direitos das comunidades inuítes. Em 2021, o parlamento local aprovou uma lei que proíbe novas licenças de exploração de petróleo, citando preocupações climáticas.
**Análise**
A declaração de Trump insere-se em um contexto de crescente competição global por recursos estratégicos, especialmente no Ártico, onde Rússia, China e países ocidentais disputam influência. Ao mencionar o Brasil como parceiro preferencial, o ex-presidente sinaliza uma tentativa de aproximação com o governo de Jair Bolsonaro, com quem manteve relações próximas durante seus mandatos. O Brasil, por sua vez, possui vasta experiência em exploração de petróleo em águas profundas, mas carece de presença no Ártico.
Especialistas em geopolítica energética apontam que a fala de Trump pode ter motivações eleitorais, visando mobilizar sua base com promessas de independência energética e alianças estratégicas. No entanto, a viabilidade prática de uma exploração conjunta é remota. A Groenlândia não é território dos EUA, e qualquer projeto dependeria de negociações complexas com a Dinamarca e o governo local, além de enfrentar forte oposição de grupos ambientalistas.
Do ponto de vista brasileiro, a proposta levanta questões sobre a coerência da política externa. O Brasil tem se posicionado como líder em energias renováveis e defensor da Amazônia, e uma associação com a exploração de petróleo no Ártico poderia contradizer essa imagem. Além disso, a Petrobras, principal empresa do setor no país, não possui operações na região e teria que investir bilhões em tecnologia adaptada ao gelo.
**Fontes**
As informações sobre a declaração de Trump foram baseadas em reportagens da agência Associated Press (AP) e da Reuters, que cobriram o evento em Nevada. Os dados sobre recursos naturais da Groenlândia foram consultados no site do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e em publicações do Conselho Ártico. A posição do governo groenlandês sobre exploração de petróleo foi obtida de comunicados oficiais do governo local e de reportagens do jornal The Guardian. Nenhuma fonte do FORTIS NEWS foi utilizada na elaboração desta notícia.
Por Renan Filho · 2026-10-14