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No dia 17 de outubro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto que revoga integralmente a Lei de Restrições Econômicas à Rússia (LRER), aprovada pelo Congresso americano em setembro do mesmo ano. A legislação estabelecia sanções financeiras e tarifas comerciais inéditas contra a Rússia, além de punições secundárias para países considerados “facilitadores” do comércio russo – categoria na qual o Brasil havia sido incluído nos anexos da lei. Com a revogação, as empresas brasileiras que negociam com Moscou ficam livres de retaliações imediatas, e Brasília vê um alívio em seu principal eixo de tensão diplomática com Washington.
A decisão foi anunciada em uma coletiva na Casa Branca, na qual Trump classificou a lei como “um erro burocrático que prejudicava aliados históricos”. A medida pegou os mercados de surpresa e gerou reações mistas entre analistas internacionais, que apontam uma guinada na política externa americana para a Rússia e para a América Latina.
**Contexto**
A LRER foi aprovada pelo Congresso em setembro de 2026, com apoio bipartidário, como resposta à expansão de operações militares russas no Ártico e a suspeitas de interferência em eleições europeias. A lei previa tarifas adicionais de importação sobre produtos russos, congelamento de ativos de empresas estatais e restrições a transações financeiras. Em um artigo polêmico, o texto também autorizava sanções secundárias contra nações que aumentassem seu comércio com a Rússia em mais de 20% em relação a 2025 – um dispositivo que afetava diretamente o Brasil, cujas exportações de carne e soja para a Rússia cresceram quase 30% naquele ano.
A inclusão do Brasil na lista de “países observados” gerou forte reação do governo brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores emitiu notas de protesto e o Congresso Nacional chegou a discutir medidas retaliatórias. Lideranças do agronegócio alertaram para o risco de perdas bilionárias, caso as sanções secundárias fossem aplicadas. Em outubro, uma comitiva brasileira viajou a Washington para negociar, mas não obteve garantias. Foi nesse cenário que Trump, que já havia criticado a lei durante a campanha eleitoral de 2024, decidiu agir.
A revogação não ocorre no vácuo. Desde seu retorno à presidência, Trump tem perseguido uma política de aproximação com a Rússia, com quem mantém relações pessoais com o presidente Vladimir Putin. Ao mesmo tempo, busca fortalecer laços comerciais com o Brasil, um dos maiores parceiros dos EUA no hemisfério. A decisão é vista como uma vitória da diplomacia bilateral sobre as sanções multilaterais.
**Análise**
A anulação da lei representa uma mudança significativa na ordem internacional de sanções. Especialistas apontam que, ao desfazer o arcabouço legal aprovado pelo Congresso, Trump enfraquece a credibilidade dos EUA como aplicador de sanções consistentes – mas, por outro lado, abre espaço para um realinhamento estratégico. Para o Brasil, o benefício é imediato: o agronegócio brasileiro pode continuar exportando para a Rússia sem sobressaltos, e o governo Lula (que assumiu em 2023) evita um confronto comercial que poderia prejudicar as relações com os dois gigantes. A medida também sinaliza que o Brasil não será usado como peça em disputas geopolíticas entre EUA e Rússia.
No entanto, a decisão pode ter custos políticos. Aliados de Trump no Congresso manifestaram descontentamento, e parte da imprensa americana acusou o presidente de ceder à pressão russa. Na Europa, aliados da OEA reagiram com cautela, temendo que a revogação incentive novas agressões de Moscou. Para o Brasil, o desafio agora é equilibrar o comércio com a Rússia sem alienar os EUA, que continuam sendo o principal parceiro comercial. A longo prazo, a queda das sanções pode estimular investimentos russos no Brasil, especialmente em energia e fertilizantes, setores em que a Rússia é líder global.
**Fontes**
Comunicado oficial da Casa Branca, 17 de outubro de 2026. Declarações do Itamaraty à imprensa brasileira. Relatórios do Congressional Research Service sobre sanções à Rússia. Análise do Peterson Institute for International Economics sobre impactos de sanções secundárias.
Por Renan Filho · 2026-10-17