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O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a condução da guerra na Ucrânia e defendeu a necessidade de uma transição política no país. Em declaração feita nesta quinta-feira, 10 de outubro de 2026, Trump afirmou que “é hora de a Ucrânia ter um novo presidente”, associando a continuidade do conflito à liderança atual. A fala ocorreu durante um evento em que também condenou os ataques a refinarias na Rússia, classificando-os como contraproducentes e prejudiciais à economia global, com impactos diretos sobre o Brasil.
Segundo Trump, os bombardeios contra instalações energéticas russas têm elevado o preço do petróleo e derivados, afetando especialmente países em desenvolvimento como o Brasil, que depende de importações de combustíveis. A declaração foi reproduzida por veículos internacionais e repercutiu entre analistas políticos e econômicos.
**Contexto**
A guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, já dura mais de quatro anos e não apresenta sinais de resolução iminente. Nos últimos meses, os ataques mútuos a infraestrutura energética se intensificaram. A Ucrânia tem utilizado drones para atingir refinarias e depósitos de petróleo em território russo, como parte de uma estratégia para reduzir a capacidade de financiamento do esforço de guerra de Moscou. Em contrapartida, a Rússia bombardeia usinas elétricas e subestações ucranianas.
Trump, que busca retornar à Casa Branca nas eleições de 2028, tem se posicionado como defensor de uma negociação imediata. Ele já havia sugerido anteriormente que a Ucrânia deveria ceder territórios para alcançar a paz. Desta vez, a novidade foi a crítica direta ao presidente Volodymyr Zelensky, insinuando que sua permanência no cargo impede um acordo. “Com a liderança atual, a guerra nunca vai acabar. A Ucrânia precisa de alguém que possa sentar à mesa e negociar”, disse Trump, segundo transcrições de seus assessores.
O Brasil, maior economia da América Latina, tem sentido os efeitos colaterais do conflito. O país importa cerca de 30% do petróleo que consome, e a volatilidade dos preços internacionais impacta diretamente o custo dos combustíveis nas bombas. Em 2025, o governo brasileiro chegou a adotar medidas de subsídio para conter a inflação, mas a pressão sobre as contas públicas persiste. Ataques a refinarias russas, que processam grande parte do petróleo exportado para mercados emergentes, contribuem para a alta dos preços.
**Análise**
A declaração de Trump insere-se em um contexto eleitoral nos Estados Unidos, onde a política externa é um dos temas centrais. Ao defender a troca de liderança na Ucrânia, Trump busca capitalizar o cansaço da opinião pública americana com o envio contínuo de ajuda militar a Kiev. Pesquisas recentes indicam que uma parcela crescente de eleitores republicanos é favorável a um acordo de paz que envolva concessões territoriais. A crítica aos ataques a refinarias, por sua vez, atinge um ponto sensível: a inflação global.
Para o Brasil, a fala de Trump pode ter repercussões diplomáticas e econômicas. O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem mantido uma posição de neutralidade ativa no conflito, defendendo negociações e criticando sanções unilaterais. No entanto, a pressão sobre os preços dos combustíveis é um problema interno constante. Se a comunidade internacional adotar a visão de Trump de interromper ataques a refinarias, isso poderia aliviar temporariamente a cadeia de suprimentos de petróleo, mas também geraria críticas de aliados ucranianos que veem esses bombardeios como legítima defesa.
Especialistas em relações internacionais apontam que a sugestão de um novo presidente para a Ucrânia é uma interferência na soberania do país, algo que Trump já havia feito em relação a outras nações. A Ucrânia realizou eleições em 2019, e a Constituição proíbe novas eleições durante a vigência da lei marcial, que está em vigor desde o início da guerra. Portanto, uma mudança de liderança só seria possível após o fim do conflito ou por meio de uma emenda constitucional, algo improvável no curto prazo.
**Fontes**
As informações foram baseadas em declarações públicas de Donald Trump reproduzidas por agências de notícias como Associated Press, Reuters e agências brasileiras como Agência Brasil e Estadão Conteúdo. Dados sobre importação de petróleo pelo Brasil foram obtidos de relatórios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Ministério de Minas e Energia. Análises geopolíticas consultaram publicações do Council on Foreign Relations e do Instituto de Estudos Estratégicos de Washington.
Por Renan Filho · 2026-10-10