FORTIS
← FORTIS
Internacional

Trump declara apoio total a Netanyahu em meio a eleições acirradas em Israel

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-18

O ex-presidente dos EUA reafirmou aliança com o premier israelense horas antes da abertura das urnas, em um gesto que pode influenciar o eleitorado de direita e aprofundar divisões políticas no país.

**Lead**

Horas antes da abertura das urnas em Israel, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump emitiu uma declaração pública reafirmando seu apoio total ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em um contexto de disputa eleitoral considerada uma das mais apertadas da história recente do país. A mensagem, publicada nas redes sociais de Trump, foi interpretada como uma tentativa de mobilizar o eleitorado conservador israelense e de sinalizar a continuidade da aliança entre a direita americana e a liderança do Likud, partido de Netanyahu.

**Contexto**

As eleições israelenses ocorrem em um clima de profunda polarização, com Netanyahu enfrentando desafios tanto da oposição centrista quanto de facções mais radicais dentro de sua própria base. O premier busca um novo mandato em meio a processos judiciais por corrupção — os quais ele nega — e a uma crise política que levou o país a cinco eleições em menos de quatro anos. A declaração de Trump não é inédita: durante seu mandato na Casa Branca, o republicano foi um dos aliados mais firmes de Netanyahu, reconhecendo Jerusalém como capital de Israel, retirando os EUA do acordo nuclear com o Irã e intermediando os Acordos de Abraão com nações árabes.

A relação entre Trump e Netanyahu, no entanto, passou por momentos de tensão. Após a derrota de Trump nas eleições presidenciais de 2020, Netanyahu foi um dos primeiros líderes mundiais a parabenizar Joe Biden, o que gerou descontentamento no campo trumpista. Ainda assim, nos últimos anos, os dois líderes reataram laços, com Trump elogiando Netanyahu publicamente e criticando a atual administração democrata americana por suposta falta de apoio a Israel.

A declaração de apoio chega em um momento delicado para Netanyahu. Pesquisas de opinião realizadas nas semanas anteriores indicavam uma disputa acirrada entre a coalizão governista liderada pelo Likud e a aliança de partidos de centro e esquerda, embora nenhum levantamento tenha apontado uma vantagem clara. O sistema eleitoral israelense, baseado em representação proporcional, exige negociações complexas para a formação de governo, o que torna o resultado das urnas apenas o primeiro passo de um longo processo político.

**Análise**

O gesto de Trump deve ser lido tanto no contexto israelense quanto no cenário político americano. Para Netanyahu, o endosso de uma figura tão polarizadora quanto Trump pode ser uma faca de dois gumes. Se, por um lado, ele reforça a imagem de líder forte e aliado dos conservadores americanos, por outro, pode afastar eleitores moderados que associam Trump a uma retórica belicosa e a instabilidade institucional. Em Israel, a memória da invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e as acusações contra Trump por tentar reverter o resultado eleitoral americano ainda estão frescas.

Além disso, a declaração de Trump ocorre em um momento em que os Estados Unidos, sob a presidência de Joe Biden, buscam reposicionar sua política externa no Oriente Médio. Biden tem mantido distância de Netanyahu, criticando a expansão de assentamentos na Cisjordânia e defendendo a solução de dois Estados. A interferência de Trump, mesmo como ex-presidente, tem o potencial de minar a credibilidade da posição oficial americana e de fortalecer a narrativa de que a política externa dos EUA é incoerente e partidarizada.

Para o público brasileiro, a notícia ressalta a importância de monitorar as alianças internacionais que moldam o cenário geopolítico do Oriente Médio. O Brasil, que historicamente mantém relações diplomáticas equilibradas com Israel e os países árabes, observa com atenção o desfecho eleitoral israelense, uma vez que qualquer mudança de governo pode impactar acordos comerciais e de segurança. Além disso, a influência de figuras como Trump sobre líderes estrangeiros é um tema recorrente no debate político brasileiro, especialmente em um ano de eleições presidenciais no Brasil.

O resultado das urnas em Israel também terá implicações diretas para a estabilidade regional. Um governo Netanyahu com apoio americano dividido pode optar por uma linha mais dura em relação ao Irã e à Palestina, enquanto uma coalizão de centro-esquerda poderia retomar negociações de paz. A declaração de Trump, portanto, não é apenas um gesto simbólico, mas um componente ativo de uma disputa que ultrapassa as fronteiras de Israel.

**Fontes**

A reportagem baseou-se em declarações públicas do ex-presidente Donald Trump veiculadas em sua rede social Truth Social, em análises de política internacional publicadas pelo jornal israelense Haaretz, e em notas oficiais do governo israelense sobre o pleito. Dados sobre pesquisas eleitorais foram omitidos por falta de fontes verificáveis no momento da redação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.