**Lead**
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a causar controvérsia ao declarar, em entrevista recente, que “é hora de a Ucrânia ter um novo presidente”. A fala veio acompanhada de duras críticas aos sucessivos ataques ucranianos contra refinarias de petróleo na Rússia, ações que dependem de tecnologia de ponta, como drones de longo alcance e sistemas de inteligência artificial. As declarações, direcionadas também ao Brasil, sugerem que a comunidade internacional deveria repensar o apoio a Kiev em meio a uma guerra que se tornou um laboratório para inovações militares.
**Contexto**
Os ataques a refinarias russas não são novidade na guerra que já dura mais de três anos. Desde 2024, a Ucrânia intensificou o uso de drones fabricados internamente ou fornecidos por aliados, capazes de percorrer centenas de quilômetros e atingir alvos estratégicos no interior da Rússia. Esses dispositivos utilizam navegação por GPS, sensores infravermelhos e algoritmos de aprendizado de máquina para evitar defesas antiaéreas, um avanço que transformou o campo de batalha.
Em abril de 2025, a Ucrânia lançou uma das maiores operações com drones contra instalações petrolíferas localizadas nas regiões de Samara e Tatarstan, a mais de 1.000 km da fronteira. O impacto foi significativo: a capacidade de refino da Rússia caiu temporariamente, afetando a produção de combustíveis no mercado doméstico e as exportações. Segundo dados da agência Reuters, a Rússia perdeu cerca de 15% de sua capacidade de refino nos primeiros meses de 2025, embora essa estimativa nunca tenha sido oficialmente confirmada.
Trump, que já havia demonstrado ceticismo em relação aos gastos militares dos EUA na Ucrânia, usou esses ataques como exemplo do que considera uma escalada perigosa. Para ele, a estratégia ucraniana de atingir infraestrutura civil ou semimilitar poderia provocar uma resposta nuclear russa, um cenário que a tecnologia não pode controlar. A referência ao Brasil, feita em um discurso voltado a investidores e diplomatas, indica uma tentativa de atrair países do Sul Global para uma mediação que inclua a troca de liderança em Kiev.
**Análise**
A declaração de Trump expõe um dilema central da guerra moderna: a tecnologia aumenta a precisão, mas também amplifica os riscos de um conflito generalizado. Drones equipados com inteligência artificial são capazes de operar em enxames, escolher alvos automaticamente e adaptar rotas em tempo real. No entanto, essa autonomia reduz o controle humano direto, aumentando a possibilidade de erros e ataques que ultrapassam os limites da legalidade internacional.
A crítica à liderança ucraniana também reflete uma disputa por narrativa. Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, tornou-se um símbolo de resistência, mas sua permanência no cargo é vista por aliados ocidentais como essencial para a continuidade do apoio financeiro. Trump, ao sugerir uma “troca”, não apresenta nomes, mas sinaliza que a política externa dos EUA, caso ele retorne ao poder, priorizará negociações diretas com Moscou, independentemente do impacto sobre a soberania ucraniana.
Para o Brasil, que mantém uma posição neutra desde o início do conflito, a fala de Trump representa um convite à participação em um processo de paz que poderia envolver a tecnologia como ferramenta de verificação. Sistemas de satélite e inteligência artificial poderiam monitorar cessar-fogos e inspecionar refinarias, mas isso exigiria um nível de cooperação internacional ainda inexistente. A diplomacia brasileira, historicamente focada em paz e desenvolvimento, teria de equilibrar interesses comerciais de energia com pressões políticas, um desafio que a tecnologia não resolve sozinha.
**Análise adicional**
O setor de tecnologia militar está em plena efervescência. Empresas americanas e europeias desenvolveram drones como o Bayraktar TB2, de origem turca, e sistemas de munição de precisão que usam algoritmos para evitar colaterais. A Ucrânia, com apoio de empresas como a Palantir e a Anduril, criou plataformas de dados que integram informações de inteligência e coordenação de ataques. Essas inovações, porém, têm um custo: estima-se que cada drone avançado custe entre 200 mil e 1 milhão de dólares, uma inversão que países em desenvolvimento dificilmente podem pagar.
Trump, em seu discurso, afirmou que “os drones não resolvem crises humanitárias” e que a tecnologia deve ser usada para reconstrução, não para destruição. Embora seja uma retórica típica de campanha, ela ecoa um debate mais amplo sobre a regulamentação de armas autônomas. A Organização das Nações Unidas discute há anos um tratado para limitar sistemas de armas letais autônomas, sem sucesso. O exemplo da Ucrânia-Rússia demonstra que, sem acordos, a corrida tecnológica pode se tornar um novo fator de instabilidade global.
**Fontes**
As informações sobre as declarações de Donald Trump foram veiculadas pela imprensa internacional, incluindo Reuters e Associated Press, em outubro de 2025. Dados sobre ataques a refinarias russas foram reportados por agências de notícias, como a Bloomberg, e analisados pelo Instituto de Estudos da Guerra (ISW). Não há fontes primárias oficiais citadas, pois o portal segue a política de não divulgar informações não verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-10