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O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a utilizar o processo judicial que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como um dos principais instrumentos de mobilização de sua base republicana, com o objetivo declarado de angariar apoio político para aliados no Brasil. A estratégia, que combina narrativas de perseguição judicial e defesa de valores conservadores, levanta preocupações entre analistas de segurança internacional e autoridades brasileiras sobre possíveis tentativas de influenciar o sistema judiciário e o processo eleitoral no país.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro desde 2018, quando surgiram suspeitas de um esquema de desvio de salários de funcionários de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) — o chamado “rachadinha”. O caso, que tramita em segredo de justiça, envolve acusações de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em 2021, a defesa do senador obteve a anulação de provas obtidas por meio de uma quebra de sigilo fiscal considerada ilegal pela Justiça, mas novas diligências foram autorizadas posteriormente.
Donald Trump e Jair Bolsonaro mantiveram uma relação próxima durante os mandatos de ambos, com encontros bilaterais e declarações públicas de apoio mútuo. Após deixar a Casa Branca, Trump continuou a se articular com lideranças conservadoras ao redor do mundo, incluindo o ex-presidente brasileiro. Nos últimos meses, o republicano passou a mencionar o caso de Flávio Bolsonaro em comícios e entrevistas a veículos alinhados à sua base, apresentando-o como exemplo de “lawfare” — o uso do sistema judiciário para perseguir adversários políticos.
A mobilização ganhou contornos mais nítidos durante a campanha para as eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro de 2026, quando Trump intensificou a retórica contra o que chama de “perseguição global a conservadores”. Em eventos na Flórida e no Texas, o ex-presidente citou nominalmente o caso de Flávio Bolsonaro como prova de que “a esquerda usa os tribunais para destruir seus oponentes”, pedindo que republicanos doem para fundos de defesa jurídica de aliados brasileiros.
**Análise**
A instrumentalização de um processo judicial brasileiro por uma figura política estrangeira representa um fenômeno inédito nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos e acende alertas no campo da segurança nacional. Especialistas em direito internacional e segurança apontam que a narrativa de Trump pode ter efeitos concretos: ao legitimar a tese de perseguição, ela enfraquece a credibilidade das instituições judiciais brasileiras perante a opinião pública internacional e, internamente, pode estimular ataques a magistrados e promotores envolvidos no caso.
Do ponto de vista da segurança cibernética e da desinformação, a campanha de Trump já se reflete em redes sociais, onde perfis ligados a grupos de extrema direita brasileiros e norte-americanos compartilham vídeos e textos que distorcem os fatos do processo. Em outubro de 2026, uma investigação da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Universidade de Stanford identificou um aumento significativo de postagens em português e inglês associando o caso Flávio Bolsonaro a supostas conspirações globais — embora os números exatos não tenham sido divulgados, a tendência foi confirmada por relatórios de monitoramento de plataformas.
Outro ponto crítico é o impacto sobre as eleições presidenciais brasileiras de 2026. Embora Jair Bolsonaro esteja inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aliados do ex-presidente, incluindo Flávio Bolsonaro, são cotados para disputar cargos majoritários. A mobilização de recursos e votos nos EUA pode injetar dinheiro e apoio logístico em campanhas brasileiras, o que, se não for devidamente fiscalizado, configura interferência estrangeira vedada pela legislação eleitoral brasileira.
**Fontes**
As informações sobre as declarações de Donald Trump foram obtidas a partir de transcrições de comícios republicanos divulgadas por veículos como a Associated Press e a Reuters, além de reportagens do jornal The Washington Post. Os detalhes sobre o caso Flávio Bolsonaro baseiam-se em matérias do portal UOL, do jornal O Globo e do site de jornalismo investigativo The Intercept Brasil. A análise sobre desinformação e segurança cibernética fundamenta-se em relatórios do NetLab da UFRJ e do projeto “Eleições sem Fake” da USP. Nenhuma informação foi obtida por meio de fontes anônimas ou não verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-29