**Lead**
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio total ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a poucos dias das eleições parlamentares israelenses marcadas para novembro de 2026. O movimento, amplamente repercutido pela imprensa internacional, ocorre em um momento de alta tensão política e econômica global, com possíveis implicações diretas para o comércio exterior, o mercado de energia e os fluxos de investimento, inclusive para o Brasil.
**Contexto**
Israel realizará eleições antecipadas em um cenário de polarização extrema. Netanyahu, líder do partido Likud, enfrenta desafios dentro da coalizão de governo e nas pesquisas de opinião, enquanto a oposição tenta articular uma frente unificada. A declaração de Trump, feita em um comício na Flórida e depois reforçada em sua rede social, destaca a lealdade histórica entre os dois líderes e sinaliza que, se voltar à Casa Branca, o republicano manterá a política de apoio incondicional a Israel.
O timing não é casual. Trump busca se posicionar como o principal aliado externo de Netanyahu em um momento em que o governo israelense enfrenta pressões internacionais por sua conduta na Cisjordânia e na questão palestina. Para Israel, o apoio explícito de um ex-presidente americano com grande influência no Partido Republicano pode fortalecer a base eleitoral de Netanyahu, mas também acirrar o debate interno sobre a relação com os EUA.
Do ponto de vista econômico, essa aliança tem implicações que vão além do tabuleiro político. O Oriente Médio concentra uma parcela significativa da produção mundial de petróleo e gás, e qualquer sinal de instabilidade na região afeta os preços internacionais das commodities. O Brasil, como importador líquido de petróleo derivados e dependente de fertilizantes e insumos químicos originados na região, é sensível a essas oscilações.
Além disso, Israel e Brasil possuem uma relação comercial crescente, principalmente em setores de alta tecnologia, defesa, agricultura e cibersegurança. Acordos bilaterais firmados nos últimos anos ampliaram o intercâmbio de produtos e serviços, com destaque para a cooperação em irrigação, drones e inteligência artificial. Uma radicalização do governo israelense, sobretudo com o aval de Trump, pode endurecer as políticas regionais e prejudicar a normalização de acordos com países árabes, o que teria efeito indireto sobre a cadeia agrícola brasileira, que depende de exportações para os países do Golfo.
**Análise**
O apoio total de Trump a Netanyahu não é apenas um gesto político; ele carrega um peso econômico significativo. Nos últimos anos, os EUA atuaram como fiadores dos Acordos de Abraão, que normalizaram relações entre Israel e alguns países árabes, abrindo mercados para investimentos e criando um ambiente mais estável para o comércio global. A postura de Trump, agora, pode ser lida como um incentivo para que Netanyahu mantenha uma linha dura, o que pode colocar em risco essa arquitetura de paz econômica.
Para o Brasil, a instabilidade no Oriente Médio tende a se manifestar em dois vetores. O primeiro é o preço do petróleo: a Petrobras, principal empresa do país, ajusta os combustíveis internos conforme as cotações internacionais, e um aumento da tensão na região pode elevar os preços da gasolina e do diesel, pressionando a inflação e o custo de transporte no agronegócio. O segundo é o fluxo de investimentos: Israel é um dos maiores investidores em startups brasileiras, e uma crise política local pode reduzir a disponibilidade de capital de risco e de parcerias tecnológicas.
Além disso, o apoio de Trump a Netanyahu pode influenciar as relações do Brasil com os Estados Unidos. Se o cenário americano caminhar para um retorno de Trump, a política externa brasileira poderá enfrentar novos desafios, sobretudo em áreas como comércio e tecnologia. O Brasil mantém uma posição equilibrada entre Israel e as nações árabes, e qualquer desequilíbrio nessa equação pode impactar as exportações de carne halal, por exemplo, que têm grande peso no PIB do agronegócio.
A reação do mercado financeiro já mostra cautela. Analistas apontam que a proximidade das eleições israelenses, somada à manifestação de Trump, aumenta a incerteza sobre a região, levando a uma leitura de prêmio de risco maior para ativos do Oriente Médio e, por tabela, para as bolsas de países emergentes, incluindo o Brasil.
**Fontes**
As informações sobre a declaração de Trump foram veiculadas por agências internacionais de notícias, como Reuters, Associated Press e Bloomberg, além de veículos israelenses como The Jerusalem Post e Haaretz. Dados sobre comércio bilateral e fluxos de investimento mencionados nesta matéria podem ser verificados em relatórios do Ministério da Economia do Brasil, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Por Renan Filho · 2026-10-18