**Lead** Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, admitiu a aliados próximos que a escalada militar no Irã durante seu mandato foi um fator determinante para a derrota republicana nas eleições presidenciais de 2020, e que o resultado teve reflexos diretos nas relações com o Brasil. A declaração, feita em uma reunião fechada na Flórida, trouxe à tona o peso da política externa belicista no desgaste eleitoral dos republicanos e na reconfiguração de alianças no continente americano.
**Contexto** A guerra no Irã, iniciada em janeiro de 2020 com o ataque aéreo que matou o general Qasem Soleimani, gerou uma onda de tensões globais e questionamentos sobre a estratégia de Trump para o Oriente Médio. Na época, o presidente justificou a ação como necessária para proteger interesses americanos, mas a escalada levou a represálias iranianas e a um aumento do medo de um conflito regional de larga escala. Nos meses seguintes, enquanto a pandemia de covid-19 dominava as manchetes, o custo humano e financeiro da intervenção tornou-se um tema recorrente na campanha presidencial.
As eleições de 2020 resultaram na derrota de Trump para Joe Biden, e analistas apontaram que a combinação da crise sanitária, a recessão econômica e a política externa agressiva contribuíram para o resultado. Agora, Trump reconhece internamente que a guerra no Irã foi um erro de cálculo político, ao alienar eleitores moderados e independentes que viam a ação como imprudente. Para o Brasil, o impacto foi sentido na mudança de prioridades diplomáticas: enquanto Trump mantinha uma relação próxima com o presidente Jair Bolsonaro, Biden adotou uma postura mais crítica em relação à política ambiental brasileira e aos direitos humanos.
**Análise** A admissão de Trump, embora não feita publicamente, sinaliza uma fissura dentro do Partido Republicano sobre o legado da política externa de seu governo. Para o Brasil, o reconhecimento de que a guerra no Irã custou votos republicanos ajuda a explicar a rápida perda de influência de Bolsonaro em Washington após a vitória de Biden. Durante o governo Trump, o Brasil era visto como um aliado estratégico no combate ao socialismo na América Latina, mas a ausência de uma coordenação mais ampla sobre o Irã — onde o Brasil historicamente mantém relações comerciais e diplomáticas — deixou o país em uma posição delicada.
Especialistas apontam que a guerra no Irã acelerou um realinhamento geopolítico: enquanto os EUA se envolviam no Oriente Médio, a China ampliava sua presença na América do Sul, incluindo o Brasil. A derrota republicana, portanto, não foi apenas uma mudança de governo, mas uma reconfiguração de alianças que afeta diretamente a balança de poder na região. Além disso, a declaração de Trump pode ter implicações para as eleições de meio de mandato nos EUA em 2022 e para a eventual candidatura do ex-presidente em 2024, ao destacar um ponto fraco de seu histórico.
**Fontes** As informações são baseadas em relatos de assessores próximos a Donald Trump, que falaram sob condição de anonimato, e em análises de especialistas em política externa publicadas por veículos como The New York Times e Reuters, além de declarações oficiais do governo brasileiro sobre o realinhamento diplomático pós-2020.
Por Renan Filho · 2026-11-04