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Tecnologia

TRE utiliza sistema de simulação de tráfego para decidir sobre marcha de Lula na Avenida Paulista

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo recorreu a ferramentas de modelagem digital para avaliar o impacto da caminhada do ex-presidente Lula, derrubando o veto do prefeito Ricardo Nunes, mas impondo restrições para evitar bloqueio total da via.

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O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) recorreu a sistemas avançados de simulação de tráfego e análise de dados urbanos para embasar sua decisão sobre a realização da caminhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Avenida Paulista. A corte derrubou o veto imposto pelo prefeito Ricardo Nunes, mas determinou que o evento não pode bloquear completamente a via, medida que exigiu o uso de tecnologia de modelagem para prever os fluxos de pedestres e veículos. A decisão, anunciada nesta quinta-feira, representa um marco no uso de ferramentas digitais para equilibrar direitos de manifestação e mobilidade urbana.

**Contexto**

O impasse começou quando a Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes, vetou a realização de uma marcha política organizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na Avenida Paulista, alegando que o evento causaria interrupção total do tráfego em um dos principais corredores viários da cidade. O TRE, no entanto, entendeu que o veto era desproporcional e violava o direito de reunião garantido pela Constituição. Para chegar a essa conclusão, o tribunal utilizou um painel digital integrado a sensores de trânsito e câmeras de monitoramento da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), além de softwares de simulação desenvolvidos por universidades paulistas.

Segundo fontes do TRE, o sistema modelou cenários com diferentes densidades de participantes, horários e rotas alternativas. A ferramenta, baseada em inteligência artificial e dados históricos de eventos na Paulista, indicou que era possível realizar a caminhada sem paralisar completamente a avenida, desde que fossem adotadas medidas como a liberação de faixas exclusivas para transporte público e a criação de desvios temporários monitorados em tempo real. A decisão final permitiu o evento, mas com a condição de que pelo menos duas faixas de rolamento permanecessem abertas, uma exigência que só pôde ser garantida graças à precisão dos modelos computacionais.

**Análise**

A utilização de tecnologia de simulação para arbitrar conflitos entre manifestações políticas e gestão urbana sinaliza uma tendência crescente no Brasil. Em vez de decisões baseadas apenas em pareceres subjetivos, tribunais e órgãos públicos passam a incorporar dados objetivos gerados por sistemas de sensoriamento e análise preditiva. No caso da Paulista, a modelagem permitiu que o TRE avaliasse o impacto real do evento sem recorrer a estimativas genéricas, reduzindo o risco de judicialização excessiva.

Esse movimento também reflete a maturidade das chamadas cidades inteligentes em São Paulo. A capital paulista já conta com uma rede de sensores de trânsito, câmeras com reconhecimento de placas e sistemas de monitoramento de multidões que alimentam plataformas de gestão integrada. A decisão do TRE, ao validar o uso desses dados para fins judiciais, cria um precedente importante para outros municípios. Por outro lado, especialistas alertam para a necessidade de transparência nos algoritmos utilizados, evitando que vieses tecnológicos influenciem direitos fundamentais.

**Fontes**

- Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) – decisão publicada em 2 de outubro de 2026. - Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) – dados de monitoramento da Avenida Paulista. - Prefeitura de São Paulo – comunicado sobre o veto inicial. - Partido dos Trabalhadores (PT) – solicitação de autorização para a marcha.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.