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Deputado ex-vice do Flamengo propõe transição de 2 anos para banir publicidade de bets no futebol

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Um painel com lideranças do esporte e do Congresso discute a proposta de um deputado federal, ex-vice-presidente do Flamengo, que defende um período de dois anos para o fim da publicidade de casas de apostas nos estádios e camisas de clubes brasileiros.

**Lead**

Um deputado federal que exerceu o cargo de vice-presidente do Flamengo apresentou, durante um painel sobre regulamentação do mercado de apostas esportivas, a proposta de uma transição de dois anos para o fim definitivo da publicidade de bets no futebol brasileiro. A ideia, discutida em evento que reuniu parlamentares, dirigentes de clubes e especialistas em direito esportivo, prevê um cronograma escalonado para que patrocínios e anúncios de casas de apostas sejam gradualmente removidos de uniformes, estádios e materiais promocionais das equipes. O objetivo declarado é proteger torcedores e atletas dos riscos associados ao jogo excessivo, sem causar um colapso financeiro imediato nas agremiações que dependem desses contratos.

**Contexto**

O mercado de apostas esportivas no Brasil cresceu exponencialmente desde a autorização parcial de operação das chamadas bets, em 2018. Atualmente, dezenas de empresas estrangeiras e nacionais patrocinam clubes de futebol das séries A, B e C do Campeonato Brasileiro, além de federações estaduais e a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Estima-se que os contratos de patrocínio com casas de apostas movimentem centenas de milhões de reais por ano, representando uma fatia significativa da receita dos clubes, especialmente os de menor porte. No entanto, o avanço do setor trouxe preocupações com o aumento de casos de endividamento entre apostadores, manipulação de resultados e exposição de menores de idade a conteúdos publicitários agressivos.

O deputado, que teve passagem pela diretoria do Flamengo entre 2019 e 2021, tem se destacado na comissão especial que analisa o Projeto de Lei 3.626/2023, que trata da regulamentação das apostas de quota fixa. Sua proposta de transição de dois anos difere de outras correntes no Congresso, que defendem o fim imediato da publicidade ou, no extremo oposto, a manutenção irrestrita dos acordos comerciais. O painel no qual a ideia foi apresentada contou com a presença de representantes de clubes como Palmeiras, Corinthians e Fluminense, além de membros do Ministério da Fazenda e da Secretaria Nacional do Consumidor.

**Análise**

A proposta de um período de transição de dois anos busca equilibrar interesses conflitantes. De um lado, a pressão da sociedade civil e de entidades de defesa do consumidor para reduzir a exposição a um produto de alto risco vicioso. De outro, a realidade financeira dos clubes, muitos dos quais assinaram contratos de longo prazo com operadores de apostas e planejaram seus orçamentos com base nesses valores. Um corte abrupto poderia levar a demissões em massa, redução de investimentos em categorias de base e até mesmo a insolvência de equipes menores.

O prazo de dois anos permitiria que os clubes renegociassem acordos com outras marcas, buscassem patrocinadores de setores menos polêmicos (como bancos, montadoras ou empresas de tecnologia) e se adaptassem a um novo ambiente regulatório. Além disso, daria tempo para o governo federal implementar um sistema de monitoramento mais rigoroso das operações de apostas, incluindo exigências de transparência sobre os montantes arrecadados e a destinação de parte dos recursos para programas de prevenção ao vício em jogos.

Por outro lado, críticos argumentam que o prazo é demasiado longo e que, durante esses dois anos, milhares de novos apostadores, muitos deles jovens, continuarão sendo impactados por anúncios que associam o futebol à sorte e ao dinheiro fácil. Estudos internacionais, como os realizados pelo Conselho Nacional de Jogos do Reino Unido, indicam que a exposição prolongada a publicidade de apostas aumenta a prevalência de comportamentos problemáticos. No Brasil, a ausência de uma regulamentação federal unificada sobre o tema já gerou iniciativas estaduais, como a proibição de propaganda de bets em estádios no estado do Rio de Janeiro, sancionada em 2025.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de relatos do painel realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 30 de setembro de 2026, com a participação do deputado autor da proposta, líderes de clubes de futebol e representantes do Ministério da Fazenda. Dados sobre contratos de patrocínio foram consultados em reportagens de veículos como UOL Esporte e Globo Esporte, que acompanham o mercado de direitos de publicidade no futebol nacional. As referências a estudos internacionais baseiam-se em publicações acadêmicas acessíveis sobre regulação de jogos de azar e saúde pública.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.