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Um tornado de grandes proporções atingiu o Oeste de Santa Catarina na madrugada desta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, deixando ao menos dois mortos e dezenas de feridos. O fenômeno, classificado como F2 pela Defesa Civil, provocou destruição em áreas urbanas e rurais, além de forçar o fechamento do Aeroporto Serafim Enoss Bertaso, em Chapecó, por tempo indeterminado. O governo do estado decretou situação de emergência e mobilizou equipes de resgate, enquanto a Assembleia Legislativa convocou sessão extraordinária para discutir medidas de apoio às vítimas.
**Contexto**
O tornado ocorreu por volta das 3h da manhã, com ventos que ultrapassaram 150 km/h, segundo estimativas preliminares da Defesa Civil. As cidades mais afetadas foram Chapecó, Xanxerê e São Miguel do Oeste. As duas vítimas fatais foram registradas em Chapecó: um homem de 42 anos e uma mulher de 35 anos, ambos atingidos por destroços em suas residências. Os nomes não foram divulgados oficialmente até o momento, aguardando comunicação aos familiares. Pelo menos 15 pessoas deram entrada em hospitais da região com ferimentos leves a moderados.
O Aeroporto de Chapecó, um dos principais do interior catarinense, teve sua pista danificada por detritos e sofreu queda de energia elétrica. A Infraero, que administra o terminal, informou que todos os voos foram cancelados até que a segurança operacional seja restabelecida. A previsão inicial é de reabertura em 48 horas, mas depende de vistoria técnica. O fechamento impacta diretamente a logística de transporte de grãos e carnes, setores vitais para a economia regional.
O governador de Santa Catarina, em exercício, convocou reunião de emergência com o secretário de Proteção e Defesa Civil e o comandante do Corpo de Bombeiros. Foi decretado estado de calamidade pública nos municípios de Chapecó e Xanxerê, permitindo a liberação de recursos federais e estaduais para reconstrução. A Defesa Civil Nacional foi acionada e enviará equipes de apoio logístico e assistência humanitária.
**Análise**
O evento climático extremo reacende o debate sobre a preparação de Santa Catarina para desastres naturais. Embora o estado tenha um sistema de alerta meteorológico, a velocidade do tornado surpreendeu as autoridades. A ausência de sirenes em áreas residenciais e a falta de abrigos públicos adequados são pontos criticados por especialistas em gestão de riscos. A Assembleia Legislativa catarinense já anunciou a criação de uma comissão externa para investigar a resposta do poder público e propor melhorias na prevenção.
Do ponto de vista político, a crise coloca pressão sobre o governo estadual, que enfrenta eleições em 2026. O governador, que busca a reeleição, terá de demonstrar eficiência na coordenação das ações de socorro e na liberação de verbas. A oposição já cobra transparência nos gastos emergenciais e a apresentação de um plano de reconstrução. O fechamento do aeroporto também afeta a campanha eleitoral, com cancelamento de comícios e eventos programados para a região nos próximos dias.
A situação ainda levanta questões sobre a relação entre mudanças climáticas e a frequência de tornados no Sul do Brasil. Embora não seja possível atribuir um evento isolado ao aquecimento global, cientistas do Instituto Nacional de Meteorologia apontam que o aumento da temperatura média do oceano Atlântico Sul pode estar contribuindo para a formação de supercélulas mais intensas. O governo federal prometeu incluir Santa Catarina no programa de mapeamento de áreas de risco, mas a implementação ainda é incipiente.
**Fontes**
As informações foram obtidas junto à Defesa Civil de Santa Catarina, ao Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, à Infraero (Administração do Aeroporto de Chapecó), ao Centro de Gerenciamento de Emergências do governo estadual e ao Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Dados preliminares foram confirmados pela Secretaria de Comunicação do Governo de Santa Catarina.
Por Renan Filho · 2026-11-06